Polícia abre canal com Brasília
Carmem Murara
De Curitiba
O delegado Clóvis Galvão, da Divisão de Investigações Criminais da Polícia Civil do Paraná, afirmou ontem que pretende abrir um canal mais direto com a CPI do Narcotráfico. O primeiro passo vai ser convidar o deputado Padre Roque Zimmermann (PT-PR), suplente da CPI, para expor o volume de informações que conseguiu obter nos últimos dias. A reunião ficou marcada para o próximo dia 2 de dezembro, em função da agenda do deputado, mas até lá eles vão manter conversas por telefone.
A iniciativa de estreitar as relações entre a Polícia Civil com a CPI partiu da própria polícia, após informações de que o Estado está na rota internacional das drogas. Houve uma espécie de cobrança do governo do Estado de que se estava fazendo muito pouco para apurar até onde o Paraná está mergulhado no narcotráfico. O próprio governador Jaime Lerner declarou, na semana passada, que colocaria a Secretaria de Segurança à disposição da Comissão.
As declarações feitas por Roque de que as mortes de três policiais de Umuarama (leia ao lado) estariam ligadas ao crime organizado foram a gota dágua para que Galvão entrasse em contato com o deputado. Para nós foi um mero acidente, afirmou Galvão. Na avaliação do delegado, Padre Roque exagerou quando vinculou a morte dos três. O deputado recebeu informações que o acidente teria sido armado. Uma das evidências foi o fato de o caso ter sido arquivado rapidamente pela polícia.
Temos indícios de que houve armação e que o caso ficou sem solução, afirmou o deputado, ao dizer que há muita gente investigando as mortes. Ele disse que a CPI do Narcotráfico já descobriu alguns crimes ocorridos no Maranhão, aparentemente desvinculados das drogas e que, numa segunda investigação, comprovaram ligação com o crime organizado.
Segundo Roque, o motorista do caminhão, Moacir Vieira dos Santos, teria perdido o controle ao desviar de um buraco na pista. Mas o buraco nunca existiu, suspeita o deputado. Na mesma época outros quatro assassinatos ocorreram em Umuarama.
Na conversa que terá com o delegado Galvão, o deputado pretende mais ouvir do que falar. Quero ver que dados eles têm e até onde podemos colabora um com o outro, afirmou. Padre Roque já teve um encontro com o delegado Adauto Oliveira, que há mais de um ano descobriu e denunciou o envolvimento de policiais civis com o tráfico de drogas. Oliveira foi designado pelo delegado-geral João Ricardo Noronha para coordenar a Divisão de Narcóticos, a ser criada pela Secretaria de Segurança Pública.
Além de tentar se aproximar da CPI, a Polícia Civil decidiu entrar de cabeça nas investigações da quadrilha do poderoso traficante carioca Fernandinho Beira-Mar no Estado que está desaparecido e hoje é um dos homens mais procurados do País. A Delegacia Antitóxicos abriu inquérito policial sobre o assunto. O comerciante Ricardo Barcellos, dono da ANR Materiais de Construção, antiga empresa de Beira-Mar, deverá ser chamado para depor até o final de semana.
A loja é apontada como sendo fachada para lavar dinheiro do narcotráfico. Galvão disse que fez uma investigação no local e não encontrou nada suspeito. Ele está mais quebrado que arroz de terceira, disse, ao se referir ao comerciante. Mas o delegado ressalta que não pode ignorar o fato de que a empresa foi do traficante até o ano passado.





