Londrina vive em constante período de turbulência política porque conta com a participação ativa da sociedade nas decisões públicas. A vigilância da sociedade civil e os protestos relacionados às deficiências dos serviços básicos são indicadores de que a política em Londrina não se faz apenas pela via do sistema partidário e da representação política, mas também por meio de mobilizações civis nos espaços públicos.
É o que afirmou a cientista política Ana Cleide Chiarotti Cesário, também professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''A jovem cidade foi construída por cidadãos apoiados na iniciativa privada. Em vários serviços que são da alçada da administração pública, como água, luz, saneamento e telefonia, os primeiros londrinenses não puderam contar com a ação do governo estadual'', afirmou.
A analista explicou ainda que, em Londrina, as frequentes denúncias e investigações demonstram que os três poderes se controlam e se fiscalizam mutuamente, promovendo o equilíbrio das potências. ''Aquilo que é considerado um entrave, eu vejo como busca de consenso. Existe aqui uma relação intensa entre Executivo, Legislativo e Judiciário, este na figura do Ministério Público. Tudo isso sob os olhos da própria sociedade civil.''
Sobre a administração de Barbosa Neto, a cientista política pondera que a principal pressão sobre as decisões do prefeito é o ''encurtamento do seu mandato'' em decorrência de sua eleição num ''terceiro'' turno. ''Atualmente, a intervenção mais polêmica é a do Calçadão que passou para a discussão pública o apagamento da memória coletiva e a descaracterização do patrimônio cultural da cidade.''
Quanto à possibilidade de se firmar definitivamente como liderança política, Ana Cleide diz que Barbosa tem diante de si o desafio de romper com o padrão político populista já existente em Londrina. ''Para tanto, terá que estar atento às demandas da sociedade local, que, na essência, é de classes e não de massas.''(E.D.)

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