Polêmicas, denúncias e desgaste
Rapidez e polêmica também foram ingredientes de votações de peso como a que autorizava a transferência para o Município de uma dívida de R$ 215 milhões da Companhia de Habitação e Londrina (Cohab) junto à Caixa Econômica Federal (CEF). Inicialmente empecilho do Executivo junto à Câmara, a matéria não apenas passou sem dificuldades, como também no formato original - todas as emendas foram derrubadas em Plenário pela chamada base aliada.
Outro projeto do gênero, mas em tramitação há mais de um ano e meio, a concessão dos serviços de água e esgoto foi aprovada com o substitutivo proposto por uma comissão especial de vereadores que analisou o documento do Executivo. Pela matéria, caberá à Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Sema), e não à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMU), o gerenciamento da tarefa, com execução a cargo de uma concessionária definida em processo licitatório.
Favorável à contratação da Sanepar por dispensa de licitação, o prefeito Nedson Micheleti (PT), com apoio público e irrestrito do governador Roberto Requião (PMDB), já disse que vetará o projeto, por ver nele um ''viés privatizador''. Já Requião classificou a suposta tentativa de privatização como ''ação de quadrilha; canalhice.''
Também nas sessões finais do ano, prevaleceu novamente a intenção inicial da administração municipal ao passarem, ainda em 2005, as alterações do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos mais de 7 mil servidores públicos municipais. Protestos de funcionários contrários à proposta em praticamente todas as sessões fez com que até a equipe de segurança da Câmara fosse acionada por Bonilha para evacuação das galerias. No fim, o projeto passou com 63 emendas, nenhuma delas com a garantia de ser atendida, e todas sem estudo de impacto financeiro exigido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
O desgaste à imagem da instituição aconteceu também em março, durante a greve dos servidores municipais, e em julho, com as denúncias de um suposto caixa de campanha não declarado, feitas pela ex-assessora financeira dos petistas em 2004, Soraya Garcia. No caso da paralisação, parlamentares intermediaram as negociações entre a categoria e a Prefeitura, sem avanços práticos - não houve qualquer índice de reposição salarial dos 21% reclamados. Já a referência de Soraya aos vereadores foi feita ante uma suposta ajuda financeira fora do caixa oficial a todos os candidatos à Câmara que apoiaram Nedson no primeiro e segundo turnos do pleito. Apesar de negarem a acusação, os parlamentares evitaram levar a discussão a plenário.
Também em março, nova manifestação do MP, com base em denúncia publicada pela Folha, pede a exoneração de parentes contratados por quatro parlamentares. A Lei Orgânica do Município (LOM) veda desde 1990 que prefeito, vice-prefeito, secretários e vereadores nomeiem cônjuges ou parentes em linha reta ou colateral até o terceiro grau. No mesmo mês, Jamil Janene (PL) e Paulo Arildo (PPS) exoneraram as cunhadas dos postos de assessoras. Renato Araújo (PP) e Renato Lemes (PRTB) fizeram o mesmo com as respectivas noras, também assessoras de gabinete. (J.G.)





