Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida agita reta final da campanha eleitoral
Post acirra ânimos e leva a guerra de decisões entre ministros do TSE e do STF; Flávio nega ataque à padroeira do Brasil e Lula sai em defesa da Santa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 2026
Post acirra ânimos e leva a guerra de decisões entre ministros do TSE e do STF; Flávio nega ataque à padroeira do Brasil e Lula sai em defesa da Santa
France Presse 

Brasília - Uma polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, agita a campanha a cinco dias das eleições. O assunto marca a disputa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu principal adversário Flávio Bolsonaro (PL) pelo voto da maioria cristã do país. Lula tem uma pequena vantagem nas pesquisas para o primeiro turno no domingo (4), mas aparece empatado com Flávio em um eventual segundo turno, no dia 25.
No domingo (27), Lula citou versões divulgadas nas redes sociais segundo as quais Flávio Bolsonaro retiraria da santa católica o título de padroeira do Brasil. O candidato de direita negou a acusação.
O Brasil tem a segunda maior população cristã do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo estudo do Pew Research Center publicado em 2025.
Já segundo dados do Censo 2022 realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 86,9% da população brasileira é formada por cristãos e, mais especificamente, 56,75% são católicos. Já os evangélicos representam 26,9% da população, fatia que tem crescido rapidamente nos últimos anos.
"Mexer com Nossa Senhora Aparecida não é aceitável (...) Eu não sei se foi fake news, o dado concreto é que isso está na rede social muito forte. (...) Ela vai ser patroeira do Brasil porque o povo brasileiro quer e tem fé", disse Lula à Band.
A declaração veio depois que Flávio afirmou que "nunca existiu" um plano para retirar o título da santa e acusou o governo de disseminar "fake news".
"Todo mundo viu que eu sou uma pessoa que respeita as religiões. Todas!", defendeu-se.
Entre os católicos, 48% pretendem votar em Lula no domingo, contra 29% em Bolsonaro, segundo pesquisa do instituto Quaest. Entre os evangélicos, o quadro se inverte: 46% apoiam o candidato de direita e 27%, Lula.
A polêmica começou após reportagens sobre uma suposta preocupação da Igreja Católica com o status da santa.
VÍDEO ANTIGO
Apoiadores da esquerda recuperaram nas redes sociais um projeto arquivado, apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victorio Galli (PP-MT) para retirar o título de padroeira da Nossa Senhora. O projeto foi arquivado em 2008. Em 2019, Galli foi nomeado assessor especial da Presidência sob a gestão de Jair Bolsonaro.
Logo se espalharam versões sobre supostas intenções atuais de Flávio Bolsonaro, embora o candidato não tenha feito declarações públicas a esse respeito.
DISPUTA TSE X STF
Flávio entrou com uma ação no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para bloquear posts que diziam que ele retiraria de Nossa Senhora Aparecida o status de padroeira do Brasil. O ministro André Mendonça, vice-presidente do TSE, determinou que fossem tiradas do ar publicações na internet associando o Flávio Bolsonaro a um suposto ataque a Nossa Senhora.
Entre as postagens derrubadas por Mendonça está uma do humorista Antonio Tabet, que em uma rede social veiculou uma foto de imagem religiosa com a legenda: “A família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida”.
No domingo (27), o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou a ordem de Mendonça sob o argumento de que “a mensagem não trazia o nome de Flávio Bolsonaro ou de qualquer familiar”.
Na decisão assinada na noite de segunda-feira (28), o ministro Luiz Fux, do STF, atendeu uma ação de Flávio e determinou que a ordem de Dino, que havia mandado manter os posts no ar, fique suspensa ao menos até que o plenário do STF analise o caso.
FLÁVIO X CNBB
Desde a semana passada, tem se espalhado na internet o boato de que Flávio Bolsonaro, caso seja eleito presidente, promoveria a ideia de remover Nossa Senhora Aparecida da posição de padroeira do Brasil.
O candidato negou a intenção e acusou a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) de espalhar o boato com intenções eleitorais.
“A Conferência repudia a produção e a utilização de informações falsas, independentemente de sua origem ou de quem possam beneficiar ou prejudicar”, reforça um trecho do documento. (Com Agência Brasil)


