Polêmica, Marlene faz campanha

Folha de LondrinaMarlene: ‘Vou ser candidata por bem ou por mal, a lei me garante’A Assembléia Legislativa que se prepare. A primeira-dama mais presente que o Paraná já teve está em plena campanha eleitoral. Pré-candidata a deputada estadual, a mulher do ex-governador Mário Pereira, presidente do diretório regional do PMDB, Marlene Pereira já percorreu 28 dos 50 municípios de sua base eleitoral, na região Oeste do Paraná.
Neste final de semana, enquanto o marido sela seu voto em favor da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no encontro extraordinário do PMDB, ela percorre outras 20 cidades em busca de apoio. Empresária e mãe de três filhos, Marlene se destacou por ser uma primeira-dama atuante. Línguas ferinas dizem que ela detinha mais poder do que se poderia supor.
Polêmica, ela diz que a sua pré-candidatura é voltada à área social, beirando com base no seu relato ao assistencialismo. ‘‘Quero ajudar as pessoas em dificuldades, dar cadeiras de rodas, por exemplo. Eu não quero uma cadeira de rodas para enfeitar a minha sala. As pessoas que pedem, realmente necessitam’’, diz Marlene, que, durante o mandato de nove meses do marido, comandou o Provopar do Paraná. ‘‘Tinha milhares de filhos de agricultores com problemas de audição. Acho que a gente tem de ajudar nesses casos’’, defende.
A Folha conversou com Marlene para conhecer um pouco mais do perfil polêmico da mulher que teve papel decisivo na vitória do marido durante a convenção estadual de 95, quando a hegemonia política do senador Roberto Requião foi quebrada. A seguir, os melhores trechos da entrevista:
Folha - A sua candidatura é uma questão definitiva?
Marlene - Sou candidata por bem ou por mal. A lei Marta Suplicy assegura a minha vaga.
Folha A senhora se considera uma mulher autoritária?
Marlene - Não, prefiro ser classificada de encrenqueira. Brigo pelas coisas que considero certas e as pessoas têm de ter argumentos para provar que estou errada.
Folha - Mas nos bastidores do PMDB é uma unanimidade que é a senhora quem manda na casa.
Marlene - Bobagem. Alguns se dizem de estopim curto. Acontece que eu não tenho estopim.
Folha - Seu filho Luiz Fernando (hoje advogado) coordenou a invasão da PUC pelos estudantes, em 1992. Ele puxou à mãe?
Marlene - Ele teve uma atitude excepcional. Os estudantes precisam reagir quando há abusos. Estamos voltando à PUC neste ano. A Denise (a outra filha) passou em Psicologia. Ela não conta que é irmã do Luiz Fernando, mas eu digo abertamente que o apoiei. Toda briga é válida.
Folha - Qual a expectativa com relação à Assembléia?
Marlene - Quero agitar. Tenho a impressão que, se eleita, vão querer me cassar no primeiro ano de mandato. Mas não estou nem aí, enfrento.
Folha - A sua candidatura vem sendo criticada pelo presidente da Câmara de Cascavel, Misael Pereira, também do PMDB. Ele é seu parente?
Marlene - Claro que não, meu filho. Você não sabia que Pereira nasce em série?
Folha - Mas ele a chama de paraquedista, já que a senhora se mudou para Curitiba há tanto tempo.
Marlene - Paraquedista é o Luiz Carlos Alborghetti (deputado,) que fez de cinco a oito mil votos em Cascavel só por causa do seu programa de tevê. Seria a mesma coisa que eu ir para Londrina pedir apoio. Cascavel é a minha terra.
Folha - Apesar de não ser delegada, a senhora acompanha o seu marido no encontro extraordinário do PMDB? Defende a reeleição de FHC?
Marlene - Sim. Eu não votaria no Itamar Franco que, para mim, é um homem ultrapassado. É possível ele querer ressuscitar o fusca?
Folha - E o senador Requião?
Marlene - (silêncio). Se ele for candidato ao governo do Paraná, seguirei a orientação do meu partido, o PMDB. Subir no palanque dele, eu não subo. A briga dele com o Mário foi mais que um desentendimento pessoal. (L.D.)

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