Os deputados estaduais do Paraná iniciam, na próxima segunda-feira (2), o ano legislativo de 2026 e têm, entre os primeiros desafios do período, os novos contratos de concessão das rodovias paranaenses. A adoção dos pórticos eletrônicos para cobrança automática nos lotes 4 e 5, no sistema conhecido como free flow, encontra forte resistência entre os parlamentares e deve dominar parte dos debates iniciais na Alep (Assembleia Legislativa do Paraná).

Na RML (Região Metropolitana de Londrina), a instalação de um pórtico na BR-369, em Rolândia, antes da antiga praça de pedágio de Arapongas, gerou insatisfação entre moradores e lideranças políticas. A Prefeitura de Rolândia chegou a acionar a concessionária responsável para manifestar “contrariedade com a movimentação”, apontando possíveis impactos econômicos e sociais para a população local.

Para embasar essa posição, a Prefeitura de Rolândia deve encaminhar, nos próximos dias, à concessionária, um conjunto de dados que apontam os impactos negativos que a instalação de uma praça de pedágio naquele trecho provocaria para milhares de moradores do município.

A repercussão do tema deve se intensificar na próxima semana. Segundo o deputado estadual Cobra Repórter (PSD), a Assembleia Legislativa precisará acompanhar de perto a atuação da concessionária e os efeitos práticos da implantação do sistema.

“O pedágio está sendo instalado em diversas praças e, em alguns pontos, está gerando divergências. É o caso de Rolândia e de algumas cidades perto de Maringá. Isso realmente tem tirado o sono dos parlamentares, porque somos cobrados por isso. Esse é um tema que vai estar bem vivo no início dos trabalhos legislativos”, disse à FOLHA.

O deputado Jairo Tamura (PL) se manifestou de forma semelhante e destacou que caberá aos parlamentares analisar com atenção os contratos e as planilhas de custo das empresas para verificar a adoção do free flow. “Eu passei por Rolândia e vi que o sistema fica antes da praça que estava instalada antigamente. Isso pode prejudicar sensivelmente as pessoas da região. As empresas do entorno também podem ser impactadas”, criticou.

Na mesma linha, o deputado Tercílio Turini (MDB) afirmou que a cobrança pelo free flow “é preocupante demais”. Ele é autor de um projeto de lei que tramita na Alep desde 2023 com o objetivo de proibir a cobrança automática no perímetro urbano das cidades paranaenses.

“Não houve um debate amplo com a comunidade quando foi adotado esse novo modelo. Imaginava-se que as praças ficariam nos mesmos locais. Agora, já se fala que a praça de Arapongas será substituída por um pórtico recuado em quase um quilômetro, que vai atingir a comunidade do Ceboleiro, pertencente a Rolândia. Para ir trabalhar, essas pessoas vão pagar pedágio na ida e na volta”, afirmou Turini, que cita problema semelhante na região de Maringá.

A deputada Cloara Pinheiro (PSD) também avalia que a discussão sobre o pedágio será um tema central na Assembleia neste início de ano. “Este é um ano de definição. Precisamos resolver essa questão do pedágio”, frisou.

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ANO ELEITORAL

Os quatro deputados estaduais com base em Londrina devem disputar a reeleição em outubro, conforme sinalizaram à reportagem. A avaliação entre os parlamentares é de que o ano eleitoral tende a dificultar o andamento de parte das atividades legislativas.

“Vou continuar com o trabalho como procuradora da Mulher. Já tenho palestras para ministrar e, agora, mais uma posse de procuradora em Mauá da Serra. Já estamos com 225 procuradorias. Como deputada, eu não parei, para falar a verdade. A expectativa é de um ano mais complicado, por ser político, mas eu me sinto muito à vontade”, afirmou Cloara, que projeta um período “muito corrido e turbulento”, mas com espaço para buscar investimentos e projetos para Londrina.

Cobra Repórter destacou que projetos de interesse do governo do Estado estão em fase de “afunilamento”, como o programa “Asfalto Novo, Vida Nova” e as iniciativas voltadas à pavimentação rural, já que muitos municípios ainda enfrentam dificuldades para apresentar seus projetos. “Depois, entramos em um período pré-eleitoral, em que haverá disputa dentro da Assembleia. Os grupos começam a buscar seus rumos, surgem divisões. Pode ter certeza que, nesse sentido, vai ser um ano bem ‘espinhudo’, de cada um querer defender seu lado. Mas os projetos que interessam para a população são o pedágio, o ‘Asfalto Novo, Vida Nova’ e o asfalto rural”, afirmou.

Para Jairo Tamura, 2026 terá uma pauta típica de ano eleitoral. “Teremos os trabalhos normais, com projetos do governo ligados a demandas pontuais de orçamento, e os projetos dos deputados continuam normalmente. A diferença é que as mudanças no secretariado podem alterar prazos de matérias que já estão avançadas, o que nos preocupa”, disse. O deputado afirma que pretende avançar na representatividade de Londrina no âmbito estadual e buscar novos recursos para a cidade.

Turini avalia que os primeiros meses do ano ainda devem ser concentrados em obras de infraestrutura, sobretudo a partir dos programas do governo estadual. No segundo semestre, porém, o foco tende a se voltar integralmente para o processo eleitoral. “Seguramente, nem o governo nem os deputados vão encaminhar projetos polêmicos”, concluiu.

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