Polêmica do CNJ: Presidente do TJ faz duras críticas a corregedora
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sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Rubens Chueire Jr. <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Tanto o desembargador Miguel Kfouri Neto, presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, quanto o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), Henrique Nelson Calandra, que estava ontem em Curitiba, reagiram com repúdio à declaração feita pela corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, e que repercutiu nos últimos dias, diante da crise que enfrenta o Judiciário. Ao se manifestar durante entrevista contra a possível restrição do poder do CNJ no que diz respeito a investigações e punições de magistrados, Eliana afirmou que o Judiciário tem ''bandidos atrás da toga''. ''Ela está generalizando e isto é inadmissível. Se a pessoa não tem provas contra um juiz não é possível aceitar tal declaração. Ela tem a obrigação de apurar antes de se pronunciar sobre o assunto. Muitos juízes se sentiram ofendidos com a declaração'', afirmou Kfouri Neto.
Sobre o controle externo do Judiciário, o presidente do TJ afirmou que ''os tribunais estaduais têm condições de punir quem quer que seja''. ''O CNJ pode e deve acompanhar os casos, mas é ofensivo pensar que os tribunais não possam tomar tal decisão. Se o CNJ verificar problemas de apuração ou demora na conclusão de investigações, pode rever o que foi feito e avocar o caso'', disse.
O presidente da AMB também fez duras críticas à corregedora: ''Há bandido de toga como há bandido de terno e gravata, bandido de farda. O que não pode é se pronunciar como se toda a categoria soubesse da existência de bandidos e não atuasse contra este tipo de situação. Pelo contrário, realizamos nosso trabalho com toda a competência'', defende Calandra.
Ele nega ainda a existência de casos de irregularidades no Judiciário que não tiveram punição. ''Lembrem-se do caso do Nicolau dos Santos Neto e outros tantos. O que não pode acontecer é vir a público e opinar sobre toda uma categoria com profissionais competentes e que atuam a serviço da Justiça na sociedade brasileira'', afirmou o presidente da AMB.


