POLÊMICA - Reforma deixa Palácio mais longe do tombamento
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domingo, 24 de outubro de 2010
Rosiane Correia de Freitas<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Quando foi inaugurado, em 1953, o Palácio Iguaçu se tornou um marco da arquitetura modernista em todo o Brasil. O Palácio marca a emancipação do Estado e é uma das primeiras obras modernistas do Brasil, assinala o arquiteto Key Imaguire. A intervenção ainda é alvo de muita controvérsia e pode dificultar a inclusão do Centro Cívico no rol de edificações tombadas pelo patrimônio da União.
A polêmica se dá em torno das decisões tomadas pela equipe que coordenou a reforma. Alguns, como o arquiteto Orlando Ribeiro, do curso de Arquitetura da Universidade Positivo (UP), acreditam que a obra foi descaracterizada o suficiente para ser barrada em futuras tentativas de tombamento.
A principal disputa se dá em torno da cor dos vidros da fachada. O projeto original, diz o secretário de Estado de Obras, Júlio Araújo, previa vidros verdes, que não foram comprados na época porque eram muito caros. O prédio então recebeu vidros transparentes. Agora, a opção foi por vidros translúcidos esverdeados. Imaguire discorda: a restauração tem que respeitar o prédio, não o projeto do prédio.
Para o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan), José La Pastina Filho, não há como afirmar que o Palácio Iguaçu não poderá ser tombado. Mas o que o Palácio sofreu pode comprometer o reconhecimento dele como patrimônio, principalmente se o resultado final da reforma alterar características do estilo do prédio, diz.
O processo de tombamento de um imóvel como patrimônio da União, explica La Pastina, normalmente é feito em cascata. O imóvel é tombado na esfera municipal, na estadual e daí nós começamos o processo para o tombamento federal, aponta. No caso do Centro Cívico, o processo de tombamento estadual parou quando o governo decidiu levar adiante o projeto de reforma do edifício.
O governo, no entanto, se defende. Agora (que a obra está quase pronta) me digam o que é que fizemos que descaracterizou o prédio?, questiona o secretário Obras Públicas. Para Araújo a reabertura do prédio irá mostrar que nenhum intervenção feita no Palácio passou dos limites.


