O governo do Paraná gastou R$ 23,5 milhões com a obra de reforma do Palácio Iguaçu. A despesa, no entanto, poderia ser paga com recursos federais, se o edifício tivesse sido tombado pelo patrimônio histórico nacional. A informação é do superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), José La Pastina Filho. ‘‘Quando o bem é tombado há ônus e bônus para o proprietário. O principal bônus é que quando o bem é público, há recurso federal para manutenção e recuperação’’, explica.
  O tombamento, diz, ‘‘é o reconhecimento da importância do bem para a nação’’. Em Curitiba, o único prédio tombado pelo patrimônio nacional é o Paço Municipal, recentemente recuperado. Além disso, o Estado também tem duas áreas urbanas tombadas: o centro da cidade da Lapa e de Paranaguá. ‘‘E estamos trabalhando no processo de reconhecimento da sede da Sociedade Garibaldi, em Curitiba, e de duas obras modernistas em Londrina’’, adianta. Os bens que poderão ser tombados em Londrina são o Teatro Ouro verde e o Museu de Artes que funciona na antiga rodoviária, obras do arquiteto João Batista Vilanova Artigas.
  No caso do Palácio Iguaçu, o processo de tombamento prevê não só a inclusão do prédio no rol do patrimônio artístico e histórico. O processo engloba todo o conjunto do Centro Cívico. A secretária de Estado da Cultura, Vera Mussi, nega que o processo de tombamento no Estado tenha parado por causa da reforma no Palácio. ‘‘Uma coisa não tem nada a ver com a outra. A reforma passou pelo Conselho (Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico)’’, diz.
  Para Vera, a reforma não deve atrapalhar um eventual reconhecimento do Centro Cívico como patrimônio da nação. ‘‘Imagino que não porque a obra não é importante só pela arquitetura, mas pelo fato de ser o primeiro Centro Cívico’’, opina.
  Para os arquitetos ouvidos pela FOLHA, muito antes da intervenção no Palácio, o complexo de edificações já sofria com a descaracterização. ‘‘Tem muita gente que diz que o esqueleto era melhor do que aquilo que chamam de Palácio das Araucárias’’, brinca Orlando Ribeiro, da Universidade Positivo. O problema com o prédio, atual sede do governo do Estado, é que o estilo arquitetônico escolhido ‘‘não dialoga’’ com as demais composições do Centro Cívico.
  ‘‘É até possível que existam intervenções em outras épocas e que são válidas, como é o caso do Olho, no Museu Oscar Niemeyer’’, completa La Pastina. Esse não seria o caso do Palácio das Araucárias. Além disso, o local que deveria abrigar os jardins criados por Burle Marx se transformaram num grande estacionamento que atende funcionários do governo, da Justiça e da Assembleia. (R.C.F.)

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