São Paulo - No primeiro confronto na TV da campanha à Presidência da República, os dois candidatos que ocupam a dianteira nas pesquisas, José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), polarizaram o debate da Band. Apesar do embate direto, ambos não tocaram em temas espinhosos da campanha.
O tucano adotou tom mais duro, mas evitou citar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Do outro lado, a petista explorou realizações do governo petista e insistiu numa comparação entre a atual gestão e a de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Serra protestou: ''Não devemos fazer campanha com o olho no retrovisor''. Na réplica, ela devolveu: ''Acho muito confortável que a gente esqueça o passado, mas não acho prudente''.
Marina Silva (PV) apostou em se apresentar como ''terceira via''. Lembrou do passado no PT e disse ser ''capaz de esquecer as divergências que muitas vezes são da oposição pela oposição''.
No início do debate, a petista demonstrou nervosismo e estourou várias vezes seu tempo. No intervalo, foi alertada pelo marqueteiro João Santana a responder olhando para as câmeras e se soltou um pouco.
Serra também deu sinais de irritação ao longo do debate, caminhando com os braços cruzados, bufando e fazendo careta ao ouvi-la. Assim como Dilma estourou várias vezes o tempo, tendo o microfone cortado.
O tucano direcionou o embate para os gargalos de infraestrutura em aeroportos, estradas e portos.
Dilma citou índices recordes de geração de emprego, segundo ela de 14 milhões de carteiras assinadas, e programas com alto índice de aprovação, como o Bolsa Família.
Os dois se confrontaram com propostas na saúde. Serra criticou a interrupção dos mutirões. Dilma disse que eles eram emergenciais.
Na sequência, Serra tentou emparedá-la questionando sobre o que chamou de ''crueldade'' do governo com as Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apaes).
Surpreendida, ela só retomou o tema no final do bloco para dizer que as entidades seriam abastecidas pelo Fundo de Educação do Ensino Básico (Fundeb). De acordo com o último Datafolha, Serra aparece com 37% das intenções de voto contra 36% de Dilma. Marina tem 10%.
Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), 1% no Datafolha, fez o papel de provocador.
As regras do debate, e mesmo a repercussão no noticiário da Band, foram acordados antes com os candidatos.

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