A ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina (PSB) previu ontem a vitória do presidente Fernando Henrique Cardoso em primeiro turno, se os partidos adversários não se unirem numa frente de centro-esquerda. Para a ex-prefeita, a repetição da polarização entre a esquerda e a direita verificada na última disputa favorecerá unicamente a reeleição do presidente.
‘‘Daí porquê o PSB não se alia na candidatura de Lula’’, explicou. A prefeita está em campanha, mas ainda não sabe a que cargo. A definição só deve ocorrer em março, depois de o PMDB decidir se lança candidato próprio. O PSB pode avaliar seu nome como candidata à Presidência da República, ao governo de São Paulo, a deputada federal ou ainda como vice na chapa a presidente do PMDB.
Erundina admitiu a possibilidade de concorrer à vice-presidência da República numa chapa encabeçada pelo presidente Itamar Franco ou pelo senador Roberto Requião (PR). Itamar, segundo ela, garantiria uma boa votação pela credibilidade com a qual é visto pelos eleitores. Já Requião, tem a seu favor o desempenho em palanque.
‘‘O quadro da eleição só começará a se definir em março’’, disse. ‘‘O ideal é os partidos se unirem em torno de um candidato de centro-esquerda.
Enquanto aguarda a definição do PSB, a ex-prefeita faz campanha como candidata a presidente da República. Ela visitou ontem as cidades de Taguatinga, distante 30 quilômetros do centro de Brasília, e Ceilândia, a 40 quilômetros da Esplanada dos Ministérios, onde conversou com feirantes e ouviu queixas das pessoas sobre a falta de emprego e de moradia.
No comício para poucas pessoas, ela defendeu a união dos partidos numa aliança contrária à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘É preciso derrubar Fernando Henrique e colocar no seu lugar alguém que tenha compromisso com o povo’’, discursou.
Erundina criticou a venda de empresas estatais ‘‘a preço de banana’’ e a aprovação da lei que permite a contratação provisória de trabalhadores. ‘‘O povo está passando fome, está desempregado’’, afirmou. Segundo ela, os argumentos de que falta dinheiro para remediar a situação não procedem, ‘‘porque dinheiro o País tem, só que a sua aplicação está concentrada em meia dúzia de criminosos, de privilegiados’’.(AE)

mockup