Dos 341.908 eleitores de Londrina, nada menos que 79.640 deles, no último dia 5, deixaram de comparecer às urnas (54.584) ou disseram ‘‘não’’ aos então nove candidatos à Prefeitura por meio de votos brancos (13.967) e nulos (11.089) – na soma que dá pouco mais de 23% de todo o eleitorado. Para o segundo turno, que acontece hoje, nem mesmo com a polarização em torno de apenas dois nomes é possível imaginar qualquer tendência significativa de declínio ou ascensão desse índice, que, afinal, teria na realidade local a possibilidade mesmo de alterar o resultado final da eleição. A avaliação é de dois analistas políticos consultados pela FOLHA, os quais apontam ainda que a adesão recente de nomes da política local, estadual e nacional às campanhas de Antonio Belinati (PP) e Luiz Carlos Hauly (PSDB) pouco deve agregar, de fato, em termos de votos para ambos.
  Para o cientista político Mário Sérgio Lepre, ‘‘a idéia ao menos é que esses votos inválidos não aumentem’’. ‘‘Isso porque, com essa polarização, o clima que era de pouca empolgação no primeiro turno esquentou de vez, está muito mais acirrado. E como existe rejeição a um ou outro candidato, talvez isso faça até com que o eleitor opte’’, disse.
  Já o sociólogo Marco Rossi entende a polarização como a possibilidade de o eleitor ‘‘ver as coisas assim preto no branco, bem e mal, em uma tipologia mais simplifica-da’’. Se o percentual de inválidos pode recrudescer ou ampliar? Na opinião do estudioso, dificilmente a segunda opção pode ocorrer.
  ‘‘Não obstante a gente ter hoje um processo de despolitização, o horário eleitoral não traz um ideário de partido, o projeto real, isso acaba ficando invisível – essas forças que não discutidas (com o eleitor) e que regem a política de bastidores acaba sendo mais fortalecida; do ponto de vista público, há um esvaziamento da política eleitoral’’, discorreu. Qual a relação com os votos inválidos? ‘‘Essa acaba sendo a grande contradição das eleições, e é o que leva à abstenção, ao voto nulo, ao voto branco, enfim, à crença de que tanto faz quanto tanto fez’’.
  Rossi pondera que, no caso dos mais de 23% de votos inválidos em Londrina, no primeiro turno, um dos fatores pode ainda ter sido o número significativo de candidatos – 407 às 19 vagas da Câmara de Vereadores, além dos nove à única vaga do Executivo municipal. ‘‘Esse volume todo, no formato em que está o horário eleitoral, só gera a idéia de mais do mesmo – aí confunde o eleitor, ou o leva a não ir votar’’, considera.
  Sobre o reforço de nomes da política à campanha de ambos os candidatos – do lado de Belinati, por exemplo, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, e o deputado federal Barbosa Neto (PDT); por Hauly, os tucanos Beto Richa, reeleito à Prefeitura de Curitiba, e José Serra, governador de São Paulo, além do PPS estadual e nacional –, os estudiosos têm análises semelhantes: o empenho não pode significar agregação de votos.
  ‘‘Não agrega votos. Ainda mais para quem já está ou se sente despolitizado, ou mesmo quem se fragiliza da idéia deste ou daquele candidato’’, avalia Rossi. ‘‘Depende do apoio: aquele que vem de fora talvez não tenha muito peso – difícil o eleitor que se pauta pelos nomes que estão fora do cenário, seja um governador de São Paulo ou um ministro do Governo Lula’’, comentou Lepre, que complementa: ‘‘Talvez seja importante para dar credibilidade, mas voto, mesmo, agrega pouco’’, aponta, para ressalvar: ‘‘Já o apoio daqueles que têm voto aqui, bases aqui, e que conhecem a realidade local talvez tenham outro peso. Mesmo assim, teria de ser um apoio de dedicação à campanha, não só aquela manifestação de horário eleitoral. Há necessidade de engajamento’’, sentencia Lepre.

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