Poderes em choque na sucessão de Hermas Brandão no TC
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sábado, 30 de março de 2013
José Lazaro Jr. <br> Reportagem Local 
Curitiba - A sucessão do conselheiro Hermas Brandão no Tribunal de Contas (TC) do Paraná colocou em rota de colisão os gestores dos poderes Executivo e Judiciário no Paraná. De um lado, o governador Beto Richa (PSDB) apoia abertamente o deputado estadual Plauto Miró (DEM). Do outro, Clayton Camargo, recém-eleito presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, torce pela vitória de seu filho, Fábio Camargo (PTB), político com mandato na Assembleia Legislativa (AL).
A vaga será decidida em votação secreta tomada entre os 54 deputados estaduais, possivelmente já no mês que vem, em abril. A data exata depende do pedido de aposentadoria de Hermas Brandão, que completa 70 anos em maio de 2013, idade em que os conselheiros são afastados compulsoriamente. Ele passou apenas quatro anos no cargo, já que foi indicado pela própria AL em 2009, com o aval do então governador Roberto Requião (PMDB).
A indicação foi um ''prêmio de consolação'' após a fracassada convenção de 2006, quando Hermas Brandão, então filiado ao PSDB, ganhou no voto partidário o direito de ser vice na chapa de Requião. Só que o diretório nacional dos tucanos impediu o acordo com o PMDB. A solução encontrada por Requião foi manter Orlando Pessuti (PMDB) como vice, tirando dele a vaga certa no TC. A relação entre os dois peemedebistas só piorou nos últimos anos, com Requião e Pessuti comandando alas rivais dentro do partido atualmente.
A indicação de Plauto Miró faz parte do planejamento político de Beto rumo à reeleição. É uma forma de agradar o DEM, partido fiel ao projeto eleitoral do governador e que hoje ocupa espaço pequeno no primeiro escalão: tem Cássio Taniguchi na pasta de Planejamento, Luciano Pizatto na direção da Compagás, diretorias na Agência de Fomento e o ex-deputado estadual Durval Amaral em cadeira do TC, conquistada via AL ano passado, quando o político estava licenciado da Assembleia e ocupava a Casa Civil do governo.
O PMDB também estaria comprometido com Plauto, pois quer a primeira secretária da AL, cargo dele na Mesa Executiva da Assembleia. Com Plauto assumindo uma vaga no TC, o posto é prontamente ocupado por Ademir Bier (PMDB), que passaria a ser o ''prefeito'' da AL. Contudo, esse acordo que garantiria o apoio das duas maiores bancadas da Assembleia está ameaçado pela movimentação de Fábio Camargo. O petebista tem conversado em particular com os deputados estaduais e prefeitos do interior, que podem influenciar os parlamentares em suas decisões sobre o tema.


