Rio de Janeiro - O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse ontem que existe um ‘‘poder paralelo’’ no Rio, controlado por traficantes de drogas. Ele afirmou ser ‘‘escandaloso’’ o uso de celulares por traficantes presos no presídio de segurança máxima Bangu 1. ‘‘O crime aqui (no Rio) tem a ousadia de se apresentar como um poder paralelo. Aliás, o assassinato daquele jornalista (Tim Lopes, da Rede Globo), com tortura e julgamento, demonstra isso’’, assegurou.
Serra contou ter ficado ‘‘assombrado’’ com a divulgação de uma conversa entre o traficante Marcos Marinho dos Santos, o ‘‘Chapolin’’, preso no presídio de segurança máxima Bangu 1, e um negociador de armas de São Paulo. Na conversa, é negociada a compra de um míssil Stinger - o mesmo usado pelo grupo Al Qaeda, do terrorista Bin Laden. ‘‘O que me deixa mais assombrado é que num presídio de segurança máxima haja celular funcionando. Por que não colocam uma torre para atrapalhar o funcionamento desses celulares? Ou o crime está cada vez mais sofisticado, mais ousado e as autoridades não têm condição sequer de atrapalhar o funcionamento de um celular?’’, indagou o candidato.
O presidenciável disse que, se eleito, promoverá uma ação ‘‘muito decidida na esfera federal no combate do tráfico de drogas e armas’’. Proporá ainda uma ‘‘reformulação profunda’’ nas polícias estaduais.
Serra passou a tarde de ontem no Rio. Acompanhado do prefeito César Maia (PFL) e da candidata do PFL ao governo do Estado, Solange Amaral, visitou o Favela-Bairro (programa de reurbanização tocado pelo município) dos morros do Juramento e Vila Primavera, em Vicente de Carvalho (zona norte), quando prometeu, se eleito, incluir o Favela-Bairro em seu programa de governo. ‘‘Podemos levar essa idéia para o resto do País.’’
No Juramento, o tucano fez questão de apresentar-se como candidato, mas não conseguiu disfarçar sua falta de jeito em falar com os favelados. No pé da favela, Serra foi abordado pela desempregada Anazélia de Lima, que, chorando, pediu que ele a ajudasse a receber a pensão do marido, Manoel de Almeida. O ex-ministro nada disse, mas César Maia anotou o pedido.
Na Vila Primavera, uma moradora que não quis se identificar pediu uma conversa ‘‘em particular’’ com o ex-ministro. Serra disse que não poderia fazer isso e lhe pediu o número do seu fax. ‘‘O senhor já viu favelado ter fax?’’, respondeu a mulher.

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