Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), diz que foi preciso superar o medo para tomar a decisão de substituir o grupo de seguranças comissionados que trabalhava na Casa de Leis, pela guarda da Polícia Militar (PM). Segundo o deputado, ''não tinha quem não tivesse medo deles e poucas pessoas não sabiam das ameaças a deputados, funcionários e até visitantes da Casa''.
Para exemplificar o sistema chamado ''poder paralelo'', Rossoni relatou até um caso em que um diretor foi ameaçado de morte por um dos seguranças. Outra situação que seria constante era a cobrança de propina a visitantes que queriam estacionar o carro dentro da AL. ''Se um prefeito quisesse parar o carro dentro da Assembleia, tinha que dar um dinheiro para os seguranças. Senão simplesmente não podia entrar e tinha que procurar vaga na rua''. O presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Civis da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (Sindilegis), Edenilson Carlos Ferry, nega que tenha havido qualquer ameaça.
Segundo o presidente do Legislativo estadual, os seguranças teriam até implantado escutas telefônicas em gabinetes utilizando a central da própria Assembleia.
Questionado dos motivos de ninguém ter enfrentado a situação antes, Rossoni primeiro se exime de responsabilidades ao dizer que ''não mandava nada'', embora tenha ocupado a Mesa Diretora em outras ocasiões, mas depois explica que todos tinham medo. E para vencer o medo e tomar decisão de agora, diz ele, houve muito estudo por uma equipe de especialistas.
''Eles nos explicaram tudo, até como agir, para não colocarmos nossa própria vida em risco''. Rossoni diz que ele e o 1º secretário, deputado Plauto Miró (DEM), receberam uma ''proteção'' extra por serem os responsáveis diretos pelos atos. O deputado classificou o clima no dia seguinte à ocupação como tranquilo.
Sobre o ''dossiê'' entregue pelo presidente Sindilegis, Edenilson Carlos Ferry, ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Rossoni diz não querer dar importância ao fato. ''Eu farei uma visita amanhã (hoje) ao Olympio (de Sá Sotto Maior Neto - procurador geral de Justiça) e pedir que o Ministério Público me investigue. Porque eu sou um homem público e devo explicações à sociedade''.
Rossoni já é alvo de pelo menos uma investigação pela Promotoria de Justiça de Proteção do Patrimônio Público de Curitiba. Os promotores instauraram um inquérito civil, em junho de 2006, sobre a nomeação como servidor comissionado no gabinete de um piloto que trabalhava para ele fazendo serviços particulares. Também foram incluídas na investigação do Ministério Público outras notícias de contratação de funcionários-fantasma ligados ao deputado. O MP não soube informar se já há resultados do inquérito.
Rossoni lacrou fisicamente a gráfica da Assembleia na tarde de ontem e anunciou que os equipamentos serão doados para o Sistema Carcerário. Também ontem começaram a trabalhar os vigilantes de uma empresa particular que fará a guarda patrimonial da AL. De acordo com o presidente, a empresa foi contratada sem licitação porque se encaixava em um patamar de preço que dispensa a concorrência.

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