As eleições deste ano provocaram uma maior distribuição do poder entre os partidos, afirmou ontem o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘O poder está melhor dividido, e isto é bom para a democracia’’, afirmou. A situação do presidente Fernando Henrique Cardoso neste novo cenário, não se modifica, continua Magalhães. ‘‘Ele não está nem mais forte, nem mais fraco, tem o mesmo estilo, o que lhe dá algumas vantagens e outras desvantagens’’, avaliou.
O senador menosprezou as análises de que a oposição saiu muito fortalecida do pleito. Reconhece apenas que ela saiu com um governo a mais e garante que seu partido continua forte, com seis governadores, podendo chegar a sete. Ele vê também pontos positivos na aliança com o PPB de São Paulo, apesar da derrota do candidato ao governo, Paulo Maluf.
Em primeiro lugar, o senador cita que o PFL tinha dois deputados federais em São Paulo, e hoje tem oito, graças à aliança. ‘‘Temos ainda uma provável aproximação maior com o PPB, e embora Maluf tenha perdido a eleição, ele é um candidato com 8 milhões de votos em São Paulo, o que de qualquer sorte é bom aliado’’.
O senador acusa a imprensa de formar uma frente anti-malufista em São Paulo, e queixa-se também do que considera um erro do Ibope. ‘‘Na quarta-feira eles tinham uma pesquisa dando Maluf com 6 pontos à frente e não publicaram; encerraram e adiaram para fazer outra’’. Magalhães disse também que, embora tenha ganho o segundo debate, Maluf teria perdido o primeiro, no qual teria ficado com ‘‘a pecha de desonestidade, o que prejudicou a eleição’’.
Apesar da derrota de Maluf, o presidente do Senado não acredita que ele esteja sepultado politicamente. ‘‘Em política é muito errado dizer que é o fim de qualquer coisa’’, afirma Magalhães, lembrando que os críticos haviam previsto o seu próprio fim em 1986, depois que o seu candidato Josaphat Marinho perdeu a eleição no Estado para Waldir Pires. ‘‘Quando chegou em 1990, conquistei a eleição para o governo no primeiro turno’’, comparou o senador, dizendo que ‘‘política é como maré, vai e volta’’.
O senador concorda que as eleições trarão como efeito colateral uma maior dificuldade de se aprovarem as medidas de ajuste fiscal no Congresso. ‘‘A dificuldade é maior, pois as pessoas mais sofridas com as derrotas são mais difíceis convencer’’. Magalhães, no entanto, acredita que conseguirá convencer os aliados a votar rapidamente as medidas, ‘‘para que possamos dar, interna e externamente, a demonstração de que estamos mudando o procedimento econômico’’.
A aprovação das medidas, acredita o presidente do Senado, ocorrerá até o fim de dezembro, pois são medidas que já deveriam ter sido aprovadas. ‘‘Não podendo ter sido ontem, vamos fazê-lo amanh㒒, prevê. Apesar da disposição, o senador reafirma que o Congresso agirá com independência, debatendo com a sociedade cada ponto do ajuste. ‘‘Temos deveres com a Nação, não só de dar o ajuste fiscal, mas de não fazer aquilo que o governo queira como um carimbo’’. Referindo-se ao Senado, Magalhães disse que ‘‘aqui é uma casa que tem independência e vai agir com independência’’.

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