Folha - Em algum momento o senhor negociou com postos de combustíveis para fornecimento de gasolina e álcool para a campanha?
Augusto - Quando você vai preparar uma campanha você visita todos, dentro da disponibildade deles fornecerem. Uns forneceram, outros não.

Folha - O senhor tem conhecimento de alguma reunião que teria sido convocada pelo senhor Gerson (Silva, do Procon) na sede do Sindicombustíveis com os donos de postos?
Augusto - Não participei e não tive conhecimento.

Folha - O delegado regional do Sindicombustíveis divulgou um levantamento que aponta que oito postos teriam fornecido combustível para a campanha, um total de R$ 46 mil. Esses oito postos não constam da prestação de contas. Isso pode ter acontecido?
Augusto - Eu não tive acesso a esse documento. Tem alguns postos que eu particularmente abasteço. Então saiu lá o meu nome mas eu não tenho como me pronunciar sobre o assunto. Qualquer falha que existe, deixou, esqueceu, isso é passível que aconteça. Isso, R$ 10 mil, R$ 20 mil, R$ 30 mil, é muito diferente de R$ 6 milhões de caixa 2. Em uma correria de campanha, a gente fica assim, e a lei eleitoral permite que você retifique falhas que tenha cometido até dentro do limite que você disse que gastaria.

Folha - Mas para vocês falarem que não houve caixa 2 de R$ 6 milhões, quer dizer que a irregularidade não foi de tudo isso, vocês imaginam o quanto pode estar errada essa prestação de contas?
Augusto - Eu não sei esse montante, eu não sei se foram cometidos esses erros. Podem aparecer os erros e eles serão corrigidos.

Folha - Quantos postos prestaram serviços à campanha?
Augusto - Eu tenho conhecimdento de um posto oficialmente. Tínhamos mais de 100 candidatos a vereador na coligação. Não sei até que ponto esses candidatos chegaram nos postos e abasteceram dizendo que eram da campanha.

Folha - Na quarta-feira, no dia em que foram feitas as apreensões, o proprietário do Posto Shangri-lá, Andrew Tsujiguchi, citou o senhor como tendo sido quem fez a negociação de dois mil litros de combustível para a campanha. O senhor trabalhou com esse posto?
Augusto - Sim, a gente passou em todos os postos conversando. Fui ver o interesse dele em fornecer e ele estava interessado. Pode ser que os vereadores tenham ido lá e abastecido e, por uma falha minha, eu não coloquei.

Folha - Ele fala que forneceu combustível durante a campanha e que teria tido dificuldades em receber. Ele o teria procurado em fevereiro e o senhor o teria pago em dinheiro. O senhor se recorda disso?
Augusto - Não me recordo disso, mas não estou dizendo que não é verdade. Eu preciso ter os documentos em mão para verificar isso.

Folha - E se isso realmente aconteceu, por que não foi declarado?
Augusto - É isso que eu preciso verificar. Uma campanha para prefeito não é algo simples, eu cuidava de toda estrutura da campanha.

Folha - O senhor tem idéia de quantos carros foram locados para a campanha?
Augusto - Menos de dez carros.

Folha - E foram pagos pela...
Augusto - Pela campanha.

Folha - Algum carro foi locado no nome prefeito Nedson como condutor?
Augusto - Pela campanha não.

Folha - O senhor acha que alguma empresa possa ter locado carros como doação para a campanha?
Augusto - Que eu tenha conhecimento não. Loquei um carro no meu nome no dia da eleição porque não pude usar meu carro. Paguei no meu cartão de crédito.

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