A fraude processual poderá ficar evidenciada se ficar comprovado que as duas fitas entregues pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) à Polícia Federal (PF) para as investigações sobre o grampo no BNDES, foram editadas a partir das 46 divulgadas pelo jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’. Segundo a procuradora da República Silvana Batini, que acompanha o inquérito, as fitas são a prova da materialidade do crime.
‘‘Essa prova pode ter sido adulterada e manipulada’’, afirmou. O MP pediu as 46 fitas à ‘‘Folha de S.Paulo’’ para ser realizada perícia e, com isto, também averiguar se as gravações que foram divulgadas em novembro pertencem a este mesmo pacote. As fitas que vieram a público em 1998 tem um laudo do Instituto Nacional de Criminalística (INC), comprovando que elas foram editadas.
O Ministério Público Federal (MPF) e a PF, se caracterizada a adulteração, vão investigar a autoria da edição. ‘‘Teríamos de discutir se essa investigação faria parte do inquérito já aberto ou se seria necessário abrir outro’’, disse Silvana.
O inquérito teve o segredo de Justiça quebrado anteontem, mas, até o fim da tarde de ontem, a 2ª Vara Federal do Rio não havia liberado os autos: algumas partes ainda estão sob sigilo, como por exemplo, o conteúdo das fitas e extratos telefônicos e o material estava sendo separado pelos procuradores.
‘‘Decidimos pedir a quebra do segredo em nome de interesse público e para mostrar o que foi feito’’, disse a procuradora. ‘‘Até agora, não se chegou à autoria do crime e o inquérito caminhava para um final frustante, mas a divulgação das 46 fitas deu um novo fôlego às investigações’’, obervou.

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