Os pobres, segundo o bispo de Jundiaí, ‘‘esperavam uma palavra de f钒 e não ‘‘posicionamentos político-partidários de esquerda’’. Eles teriam ficado mais vulneráveis aos apelos dos evangélicos - que adotaram uma linha agressiva de proselitismo religioso, com o uso intenso de emissoras de rádio e de TV.
As opiniões de d. Amaury batem de frente com as de outros observadores. Há poucos dias, durante uma reunião da cúpula da CNBB, em Brasília, o sociólogo e diretor-executivo do Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), Luiz Alberto Gómez de Souza, apresentou uma visão mais tranquilizadora para os bispos. Num texto distribuído no encontro, afirmou que a perda ocorreu principalmente entre católicos nominais, aqueles que dizem pertencer à Igreja mas não são praticantes. Os católicos verdadeiros teriam permanecido.
Em entrevista à reportagem, o sociólogo disse não perceber relação entre a opção da Igreja pelos pobres e a perda de fiéis. Para ele, é arriscado estabelecer relações tão diretas entre causa e efeito, porque há múltiplos fatores em jogo. ‘‘O Estado em que houve maior redução na porcentagem de católicos foi o Rio, onde as CEBs não tiveram grande desenvolvimento. Por outro lado, em São Paulo, onde o trabalho das CEBs é forte, houve menos perda.’’
O sociólogo do Ceris faz parte de um grupo de observadores que tem opinião oposta à do bispo de Jundiaí: para eles, a Teologia da Libertação e as CEBs teriam dado maior dinamismo à Igreja e evitado que a perda fosse maior do que a registrada pelo Censo. Num artigo publicado nessa semana no Estado, o escritor dominicano Frei Beto observou: ‘‘Estados onde as CEBs se multiplicaram ocupam os dez primeiros lugares no ranking das populações católicas.’’

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