PMs podem revelar mandante de atentado
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terça-feira, 16 de janeiro de 2001
Dimitri do Valle De Curitiba 
O delegado-chefe da Divisão de Narcóticos (Dinarc), Adauto Abreu de Oliveira, disse ontem que o sargento PM Ademir Leite Cavalcante revelou a três colegas o nome do mandante do atentado ao prédio da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), no dia 29 de dezembro, em Curitiba. Os policiais citados por Cavalcante serão ouvidos hoje por Adauto. Cavalcante prestou depoimento ontem à tarde por duas horas e negou envolvimento. Sou inocente. Não devo nada, afirmou o sargento, que saiu da Dinarc algemado e com um colete à prova de balas.
Adauto disse que vai interrogar os três PMs citados para saber se Cavalcante foi um dos autores do atentado. O delegado disse que o sargento falou sobre sua participação no incêndio a dois soldados e um cabo no dia 30 de dezembro, 24 horas depois do atentado. Segundo o delegado, ele também revelou aos policiais a identidade de quem mandou atear fogo na promotoria para destruir provas contra o crime organizado no Estado.
O delegado justificou que ainda não tem provas para pedir a prisão do mandante. Ele relatou que o suspeito foi citado na CPI Nacional do Narcotráfico na passagem da comissão por Curitiba, há 11 meses. O delegado acrescentou que seria imprudente apresentar a identidade (do mandante) agora. Ainda ontem à noite, seriam ouvidos os policiais civis Mauro Canuto e Edson Clementino da Silva, o Lambe-Lambe, além do técnico em eletrônica Sérgio Rodrigues de Oliveira. Todos estão presos.
Assim como o sargento que está preso num batalhão da PM, no Presídio do Ahú, em Curitiba os dois policiais civis e o técnico negaram qualquer ligação com o incêndio. Todos foram presos no final de semana. Adauto disse que vai encaminhar à Justiça o pedido de prorrogação da prisão dos acusados por mais cinco dias. O único foragido é o 2º tenente PM Alberto Silva Santos, que deveria ter se apresentado até ontem, sob pena de ser declarado desertor.
Os acusados que estão presos apresentaram álibis para sustentar que não se encontravam na sede da PIC na madrugada em que o fogo foi ateado. Adauto disse que Canuto afirmou que ficou em casa com familiares e Cavalcante relatou que dormia na hora do atentado. O delegado informou que Lambe-Lambe alegou que estava numa boate junto com o repórter Sibonei Nascimento, que trabalha no programa de TV do deputado estadual Luiz Carlos Alborghetti (PTB).
O advogado de Canuto, Murilo Buchmann, disse que seu cliente é inocente e que vai livrá-lo da cadeia nas próximas horas. O advogado de Oliveira, Marden Maués, confirmou que o acusado conhecia Canuto, mas afirmou que isso não é suficiente para incriminá-lo. Sobre a aparelhagem de escuta telefônica encontrada na casa do técnico em eletrônica, o advogado declarou que, por enquanto, Oliveira é apenas um suspeito. Ele foi autuado em flagrante por escuta telefônica e porte de documentos falsos. Cédulas de identidade de outros Estados também foram encontradas na casa do técnico.


