Curitiba - A Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia Legislativa do Paraná que vai apurar indícios de irregularidades nos gastos do Executivo com publicidade e propaganda, nos anos de 2005 e 2006, foi instalada ontem. E o comando das investigações ficou nas mãos do peemedebista Dobrandino da Silva, que já foi líder do Governo, na legislatura anterior. Dobrandino admitiu ontem que ''não queria a bomba''. Seu nome foi sugerido pelo atual líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB).
Marcelo Rangel (PPS), autor do requerimento que deu origem à CEI, não aprovou a escolha. Rangel considera a indicação ''suspeita'', já que Dobrandino ''é ligado a veículos de comunicação de massa''. Rangel também é proprietário de duas rádios. Dobrandino afirmou que não vê problema na sua indicação. Elton Welter, líder da bancada do PT, é o vice-presidente da CEI. Reni Pereira (PSB), líder do bloco independente na Casa, é o relator. A CEI é composta por outros quatro membros titulares.
Dobrandino acredita que 60 dias - prazo dado para a CEI concluir os trabalhos - é mais do que suficiente. Pelo Regimento Interno, a comissão pode pedir prorrogação do prazo. O peemedebista não informou a data da primeira reunião da CEI, mas sugeriu que as investigações comecarão de fato apenas em agosto, na volta do recesso parlamentar, que inicia no dia 18 de julho. O relator, Reni Pereira, disse que já irá conversar com Rangel sobre as informações e os documentos existentes.
Rangel foi quem pediu ao Tribunal de Contas (TC) do Estado os relatórios do Executivo referentes às contas com publicidade e propaganda. Quando apresentou ao Legislativo os dados, Rangel questionou os critérios de distribuição das verbas, sugerindo que veículos de circulação restrita tinham sido priorizados. O conselheiro Fernando Augusto Mello Guimarães, da 5 Inspetoria de Controle Externo do TC, também se manifestou de forma semelhante em relação aos gastos.
Reni Pereira acredita que, mesmo durante o recesso parlamentar, ''dará para adiantar alguma coisa''. ''Acho que o Executivo tem que explicar o descompasso entre os valores (referentes aos gastos da pasta de Comunicação Social) divulgados no seu site oficial e os números que o Tribunal de Contas revelou. Depois temos que descobrir que critérios foram utilizados na distribuição da verba. Teria que ter tido um critério técnico, e não pessoal.''
A instalação da CEI acontece cerca de um mês depois que o plenário da Casa, por 20 votos a 19, aprovou sua criação. O secretário de Estado de Comunicação Social, Airton Pisseti, argumenta que os gastos efetuados na gestão anterior (Jaime Lerner) são ''superiores''.

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