A divisão do PMDB, que deixou a legenda fora das eleições presidenciais deste ano, deve custar o enfraquecimento e talvez, no médio prazo, o fim de um dos maiores partido dos País. Essa é a avaliação de alguns cientistas políticos após a convenção realizada no domingo.
‘‘O PMDB já teve sobrevida em excesso’’, avalia o professor Olavo Brasil de Lima Júnior, especialista na história dos partidos no Brasil. Para ele, o PMDB já não tem mais espaço geográfico nem ideológico para sobreviver como um grande partido. ‘‘O PMDB perdeu o centro para o PFL e PSDB e hoje só é forte no Norte e no Centro-Oeste’’, explica. ‘‘Para se expandir só invadindo o Paraguai’’, ironiza.
Da mesma forma, o professor Bolívar Lamounier considera nebuloso o futuro do PMDB. Para ele, a convenção representou uma ‘‘fratura exposta’’ no partido. ‘‘O PMDB não conseguiu resolver sua crise de identidade, em ser ou não governo, e terá muita dificuldade para sobreviver’’, analisa. Para o professor gaúcho Denis Rosenfield, a sigla só não vai acabar porque ainda é forte regionalmente. ‘‘Mas não há dúvida de que a convenção deixou o partido mais enfraquecido.’
Para alguns de seus fundadores, o partido chegou a uma situação limite, mas isso não significa o fim. ‘‘Em 30 anos, já vi o PMDB morrer várias vezes’’, lembrou o senador Pedro Simon (RS). ‘‘Mas chegamos ao limite do erro.’
O ex-deputado federal Ronan Tito (MG) cita uma frase do ex-líder Ulisses Guimarães: ‘‘Esse partido tem mais sorte do que juízo.’ Para o ex-deputado federal Maurílio Ferreira Lima (PE), ‘‘nada poderia ser mais melancólico’’.

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