PMDB terá futuro nebuloso
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segunda-feira, 29 de junho de 1998
Silvio Bressan e Cláudia Dianni Agência Estado 
A divisão do PMDB, que deixou a legenda fora das eleições presidenciais deste ano, deve custar o enfraquecimento e talvez, no médio prazo, o fim de um dos maiores partido dos País. Essa é a avaliação de alguns cientistas políticos após a convenção realizada no domingo.
O PMDB já teve sobrevida em excesso, avalia o professor Olavo Brasil de Lima Júnior, especialista na história dos partidos no Brasil. Para ele, o PMDB já não tem mais espaço geográfico nem ideológico para sobreviver como um grande partido. O PMDB perdeu o centro para o PFL e PSDB e hoje só é forte no Norte e no Centro-Oeste, explica. Para se expandir só invadindo o Paraguai, ironiza.
Da mesma forma, o professor Bolívar Lamounier considera nebuloso o futuro do PMDB. Para ele, a convenção representou uma fratura exposta no partido. O PMDB não conseguiu resolver sua crise de identidade, em ser ou não governo, e terá muita dificuldade para sobreviver, analisa. Para o professor gaúcho Denis Rosenfield, a sigla só não vai acabar porque ainda é forte regionalmente. Mas não há dúvida de que a convenção deixou o partido mais enfraquecido.
Para alguns de seus fundadores, o partido chegou a uma situação limite, mas isso não significa o fim. Em 30 anos, já vi o PMDB morrer várias vezes, lembrou o senador Pedro Simon (RS). Mas chegamos ao limite do erro.
O ex-deputado federal Ronan Tito (MG) cita uma frase do ex-líder Ulisses Guimarães: Esse partido tem mais sorte do que juízo. Para o ex-deputado federal Maurílio Ferreira Lima (PE), nada poderia ser mais melancólico.


