PMDB tenta manter Requião em evidência
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sábado, 26 de julho de 1997
Leandro Donatti Curitiba 
O senador Roberto Requião (PMDB) vai ter que ficar com um pé no Paraná e outro em Brasília, se quiser manter-se firme na disputa eleitoral pelo governo do Estado no ano que vem. Os adversários políticos do senador apostam no seu ostracismo, depois de concluídos os trabalhos da CPI dos Títulos Públicos e apagados os holofotes que o projetaram na mídia nacional.
Requião começa a percorrer o Estado, em meados de agosto. Desembarca no dia 15 do mês que vem em Campo Mourão e pretende cumprir à risca um roteiro esboçado pela direção estadual do PMDB para terminar no dia 27 de setembro. As viagens de campanha fazem parte de um plano alternativo amarrado pelo partido para manter Requião em contato com os eleitores que ficaram à margem das discussões dos precatórios.
Saíram frustradas as tentativas do senador em vincular o atual governo com o esquema de lavagem de dinheiro montado no Paraná. A única acusação - que acabou não tomando corpo - sugeriu o pagamento, em 96, de uma pesquisa eleitoral no segundo turno de Londrina pela Asempre Consultoria e Assessoria Empresarial, uma das fantasmas comandadas pelo grupo de doleiros que viabilizou o esquema.
A preocupação de Requião em não ficar para trás tem ainda um cunho administrativo. O governador Jaime Lerner (PDT) tem a máquina nas mãos no mínimo até abril e só deixa o Palácio Iguaçu, em caso de mudanças na lei complementar que hoje vê como necessária a desincompatibilização. O discurso de vítima adotado pelo governador quando o assunto é o bloqueio de empréstimos externos também coloca Requião em desvantagem.
A última pesquisa de opinião divulgada pelo Instituto Datafolha mostra isso. Os bombardeios de Requião e do senador Osmar Dias (PSDB) não foram suficientes para arranhar a imagem de Lerner. Enfrentando uma das piores crises administrativas - agravada pela sua indefinição partidária - Lerner continuou despontando em terceiro lugar como o governador mais popular entre os eleitores.
O aliado em potencial de Requião, o presidente da Telepar e ex-governador Álvaro Dias (PSDB), goza igualmente de uma situação política mais confortável. O tucano dá sinais que não tem pressa em se acertar com o PMDB e que, por enquanto, o PSDB lança candidatura própria. Desde que assumiu o cargo presenteado pelo ministro das Comunicações, Sérgio Motta, Álvaro corre o interior anunciando recursos da estatal, dando mostras que pretende montar um governo paralelo.
Requião diz que não está preocupado com a desvantagem sobre a sua pré-candidatura. Jamais achei que a CPI poderia se transformar num palco para eu voltar ao Palácio Iguaçu, afirma. Para ele, as viagens pelo interior já estavam planejadas, e que de certa forma o ajudará a não cair no ostracismo, como desejam os adversários.Arquivo FolhaTiro erradoRoberto Requião: tentativa de envolver governo do PR na CPI saiu frustrada
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