PMDB tenta conter desgaste
CASO MARISTELA
PMDB tenta conter desgaste
A denúncia divulgada por uma revista semanal acusando Maristela Quarenghi de Mello e Silva, mulher do senador Roberto Requião, de enviar dólares para o exterior através de uma conta CC-5, caiu como uma bomba no PMDB. O partido, que prepara o senador para ser candidato a prefeito de Curitiba em 2000, está preocupado com os reflexos políticos. Os adversários vão fazer disso um carnaval, avaliou o líder do PMDB na Assembléia, Orlando Pessuti.
Requião que liderou as denúncias de evasão de divisas para o exterior durante a CPI dos Precatórios fez ontem um pronunciamento no Senado garantindo que a denúncia da revista trouxe várias incorreções. Ele negou, entre outros pontos, que sua mulher esteja morando na França. Assessores de Requião também afirmam que o investimento em dólar ficou no Brasil.
Ouvido pela Folha ontem, em Cascavel, o procurador da República Celso Três que investiga as operações de contas CC-5 disse que a Tupi Câmbios, agência de Foz que teria remetido o dinheiro de Maristela para fora do País, é uma lavadora (de dinheiro) por excelência.
Três fez ressalva, entretanto, à operação de compra de dólares feita pela mulher do senador. No caso não há crime de evasão fiscal, porque há uma origem do dinheiro (venda de um apartamento de herança, no valor de R$ 250 mil, em São Paulo). Mas no caso de o dinheiro ter ganho realmente um paraíso fiscal, Três observa que houve a tributação, mas resta a evasão de divisas, um outro tipo de crime financeiro.
Ao abordar a opção pelo dólar, feita pela mulher, Requião usou da velha ironia no discurso do Senado. Minha mulher mantém os dólares como reserva financeira, pois ela foi mais inteligente do que 90% dos idiotas economistas brasileiros, que apostavam na estabilidade do real em relação ao dólar.
Antevendo desgaste político, os aliados do senador iniciaram ofensiva para tirar a imagem de que houve irregularidades. A direção do partido, do qual Requião é o presidente estadual, distribuiu nota saindo em defesa dele.
Ao buscar apagar o incêndio no Senado, Requião também conseguiu solidariedade de alguns senadores, como de Edison Lobão (PFL-PA). Trata-se de dinheiro com origem, feito com cheques administrativos, o que registra definitivamente boa-fé, considerou Lobão.
Adversários ferrenhos do senador, o governador Jaime Lerner (PFL) e o prefeito de Curitiba, Cassio Taniguchi (PFL), evitaram comentar as denúncias. (Leandro Donatti, com colaboração de Paulo Pegoraro)





