Curitiba Representantes do PMDB de vários estados do Brasil se reuniram ontem em Curitiba para definir a posição da sigla quanto à participação no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O presidente nacional do partido, Michel Temer, quer que o PMDB fique de fora do atual governo federal. A ala do partido comandada pelo governador Roberto Requião, no entanto, defende a participação efetiva dos peemedebistas no novo governo.
''Nós pretendemos mudar a direção do partido, através do voto, sem nenhuma violência'', disse Requião, no início do encontro, que começou por volta das 10 horas. Para isso deve ser realizada uma convenção nacional da sigla, no dia 25 de janeiro, em Brasília.
''Não aceitamos mais que o PMDB fique na mão de meia dúzia de pessoas, negociando cargos e posições por voto. Queremos restabelecer o velho PMDB doutrinário, firme, apostando em políticas claras para o Brasil e não na troca de apoio por emprego'', defendeu o governador do Paraná.
O ex-governador de São Paulo Orestes Quércia também é a favor da mudança na direção do partido. ''Nós não confiamos no comando do partido'', assegurou. Segundo Quércia, o comando do PMDB levou o partido a se vincular de maneira definitiva com o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), cuja política é contrária ao que defende a base partidária.
''Queremos que o PMDB apóie o governo, dentro de um programa de desenvolvimento do País'', argumentou Quércia. O ex-governador disse ainda que acha difícil que o atual comando do PMDB possa conduzir o partido dentro do novo quadro político que se desenhou no Brasil.
Assim como os demais participantes do encontro, o senador José Sarney (MA) também defende a renovação na liderança do partido. Ele disse ainda que tem disposição para concorrer à presidência do Senado. ''Eu aceito disputar a presidência nos termos de um grande projeto nacional de participação do PMDB, no qual eu pudesse colaborar'', discursou Sarney.
O senador Maguito Vilella (GO) disse que a divisão no PMDB nacional hoje existe porque a cúpula quer ditar as normas, sem consultar as bases do partido. ''A definição sobre a participação ou não no governo Lula, por exemplo, é uma decisão que só pode ser tomada em convenção'', defendeu.

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