PMDB teme esvaziamento e fragilização do partido
Treze anos depois da primeira diáspora, que deu origem ao PSDB, o PMDB corre o risco de perder sua segunda costela. Uma circunstância semelhante que combina ano pré-eleitoral, interesses regionais, participação polêmica no governo e resistência à cúpula do partido pode provocar a saída de uma dezena de deputados, dois senadores e um ex-governador.
A situação mais crítica é a de São Paulo. Assim como há 13 anos, quando boa parte do PMDB paulista se rebelou contra o então governador Quércia, o grupo do deputado federal Michel Temer não quer se submeter ao quercismo. São nove dos 11 deputados federais e três dos cinco estaduais que devem saltar do barco.
Melhor opção para Temer poderá ser uma candidatura a governador pelo PPS, que já tem Ciro Gomes como presidenciável.
Além de Micher Temer (SP), o ex-governador do Rio Grande do Sul, Antônio Britto e o senador José Alencar (MG) poderão se juntar aos dissidentes.
A saída, porém, deverá ser em bloco e poderá provocar o mesmo efeito de 1988: fragilizar o partido na véspera da sucessão nacional. Em 88, a saída de Mário Covas, Fernando Henrique e Franco Montoro, entre outros, acabou dinamitando as pretensões eleitorais do partido, que fracassou em 1989 com Ulysses Guimarães.
A rebelião agora não terá a mesma dimensão da revoada dos tucanos que fundaram o novo partido com sete senadores e 37 deputados de 15 Estados, e nem deverá desembocar em uma nova legenda, mas abalará o partido em três dos maiores colégios eleitorais do País. A vitória dos grupos de Orestes Quércia em São Paulo, Newton Cardoso em Minas, e do ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, no Sul, acendeu o estopim de uma crise que já rachou o partido.





