Arquivo folhaPaes: liderança ameaçada A cúpula do PMDB estabeleceu um prazo final para a definição do partido sobre o apoio à reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. A ala governista - em que se incluem três ministros de Estado, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e os líderes nas duas Casas do Legislativo - programa uma convenção nacional para 15 de fevereiro, e aposta todas as fichas na aprovação da parceria eleitoral com o Palácio do Planalto. ‘‘Já estamos todos em campanha, e o partido não pode viver uma dúvida’’, argumentou o líder na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA).
‘‘É preciso que tenhamos unidade na palavra e na ação pelo menos entre as lideranças do partido’’, ponderou ontem Temer, que recebeu os cardeais do PMDB para um almoço em sua residência oficial. Os governistas querem um presidente do PMDB que una o partido e faça a interlocução oficial com o governo. A idéia é emplacar no comando partidário o líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), ou o ministro da Justiça, Iris Rezende.
‘‘Fechamos nestes dois nomes’’, contou um cardeal do partido. Tanto Iris quanto Jáder devem sair candidatos a governador de Goiás e Pará, respectivamente, mas a cúpula governista quer um dos dois na presidência do partido, sem prejuízo das candidaturas. ‘‘Um deles será a voz do PMDB no comando da campanha da reeleição de Fernando Henrique’’, aposta um dirigente do partido.
A Convenção Nacional não servirá apenas para definir o cenário nacional nas eleições de outubro. O Conselho Político, que se reuniu em dezembro e aprovou a parceria com Fernando Henrique por 40 votos a zero, deixou armada uma arapuca para o atual presidente do partido, deputado Paes de Andrade (CE). Encarregada de ratificar a prorrogação do mandato dos dirigentes do partido, o Conselho o fez apenas para os diretórios regionais. O destino da Executiva Nacional, encabeçada por Paes, ficou pendurado na palavra da próxima Convenção Nacional.
Apesar da determinação de realizar a Convenção Nacional em fevereiro, os governistas ainda vão tentar um entendimento com Paes em torno do encontro que ele próprio convocou para dia 25. Os defensores da candidatura própria, onde se incluem os presidenciáveis do partido - o ex-presidente e embaixador do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA), Itamar Franco, e os senadores José Sarney (AP) e Roberto Requião (PR) - querem arrastar ao máximo uma definição, mas não é o que pensam os governistas. ‘‘Se a gente esperar até junho, vai-se o partido e vamos nós; dançamos todos’’, observou o deputado Luiz Henrique (PMDB-PI).
‘‘O fundamental é que não haja digladiação entre os dois grupos’’, defendeu Temer. Para isolar Paes, que lidera ruidosamente o grupo defensor da candidatura própria ao Planalto, os líderes da ala governista estão montando uma chamada ‘‘operação conciliadora silenciosa’’. A chave nesta estratégia é conseguir o apoio do senador presidenciável Sarney. ‘‘A presidência do partido, hoje, como está, não é um cargo a se disputar, mas uma missão’’, completou o líder do partido na Câmara, Geddel Lima.

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