PMDB tem plano para anular dissidentes
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de junho de 2002
João Domingos e Christiane Samarco<Br>Agência Estado 
Brasília - Toda a estratégia do PMDB para neutralizar a iniciativa da ala rebelde do partido, que requereu à convenção, que será realizada amanhã, o registro da candidatura à Presidência da República do senador Roberto Requião (PR), foi combinada entre a cúpula do partido com o presidente Fernando Henrique Cardoso, durante reunião, na noite de quarta-feira, no Palácio da Alvorada. Uma das idéias é exigir dos rebeldes o respeito ao resultado da convenção. A preocupação é com baixarias na convenção peemedebista que receberá, ao final, a visita do candidato tucano José Serra.
No encontro do Alvorada, foram planejados os passos para que seja garantida a vitória da proposta de coligação com o PSDB e de lançamento da deputada Rita Camata (ES) como vice de Serra. A alternativa mais viável é a de oferecer a Requião e aos rebeldes do PMDB o direito de apresentar a candidatura. Mas, antes, a convenção decidirá se o PMDB deve fazer aliança com o PSDB e, em caso afirmativo, se deve lançar a deputada Rita Camata (ES) para vice. Nesse caso, o requerimento de Requião ficaria prejudicado.
Havia uma outra proposta, defendida pelo ex-deputado Eliseu Padilha, que propunha simplesmente rejeitar o pedido de inscrição do senador Requião. Com isso, alegava Padilha, a convenção negaria um palanque para que o senador, a pretexto de pedir votos, ataque o candidato do PSDB à Presidência, além do próprio governo. Por causa de dúvidas jurídicas, a cúpula do PMDB decidiu adiar a decisão para hoje.
Segundo o presidente do partido, Michel Temer (SP), deverão ser consultados advogados para que algumas pendências jurídicas sejam esclarecidas. Trata-se de um adiamento proposital para que se obtenha um acordo com a ala rebelde do partido, comandada pelo ex-governador Orestes Quércia e pelo ex-deputado Paes de Andrade, além dos senadores José Sarney (AP), Maguito Vilela (GO) e Pedro Simon (RS). Pelo acordo, Requião e seus companheiros deverão aceitar a decisão que for tomada pela convenção. Enquanto isso, o PMDB fará um levantamento para ver se existe a possibilidade de algum juiz, em alguma parte do País, conceder uma liminar que obrigue a direção a registrar a chapa dos dissidentes.
Para o líder do PMDB na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), o acordo com o grupo de Requião é peça importante para se evitar surpresas na convenção de sábado. Eu, ainda que constrangido, iria apoiar o senador Requião se ele vencesse a convenção, disse o líder. Caso saia o acordo, a direção do PMDB aceitará a candidatura de Requião, mas exigirá que o grupo oposicionista aceite também o resultado da convenção.


