Curitiba - A Comissão de Ética e Disciplina do PMDB do Paraná decidiu ontem suspender por 60 dias o ex-governador Orlando Pessuti por sua atitude de gravar depoimento criticando o candidato do partido ao Palácio Iguaçu, Roberto Requião, para o programa de Beto Richa (PSDB) que foi ao ar na última segunda-feira. A suspensão tem caráter preventivo e vale até o julgamento do processo ético contra o ex-governador. Pessuti tem 15 dias para apresentar a defesa.
Membro da ala do PMDB favorável a uma coligação com os tucanos, Pessuti foi escalado para dizer, no programa de Beto, que "eleição com Requião sempre tem armação". A coligação do peemedebista conseguiu, na Justiça Eleitoral, impedir novas veiculações do vídeo. A atitude também afeta o PSDB, já que o artigo 54 da Lei Federal 9.504/97, que rege as eleições, proíbe veiculação de material em horário eleitoral com candidato de fora do partido ou coligação.
A Comissão de Ética do PMDB foi acionada por uma petição assinada pelo presidente do PMDB do Paraná, Rodrigo da Rocha Loures. "Como presidente, sou o guardião do estatuto e da regra partidária. Meu papel é fazer cumprir as regras do PMDB, garantindo os direitos e deveres aos filiados. Tomei a decisão para preservar a unidade e a democracia interna do partido", afirmou.
Rocha Loures se disse surpreso com a atitude de Pessuti. "Fiquei surpreso com esse depoimento. Respeito ele e também sua trajetória dentro do partido. Nunca imaginei que ele pudesse declarar voto para quem não fosse candidato do partido", contou. A Comissão de Ética deve informar oficialmente a Executiva Estadual na próxima reunião, marcada para segunda-feira, um dia após as eleições.
Pessuti disse que, até a tarde de ontem, não havia sido comunicado da decisão. "Não estou sabendo e, se fizeram isso, foi de forma irregular, porque não fui previamente comunicado de que iriam analisar minha suspensão, não me deram direito a defesa. Foi mais um ato de truculência, uma arbitrariedade do grupo de Requião", afirmou. Pessuti disse não se arrepender de ter participado do programa de Beto Richa e não temer ser expulso do partido por infidelidade.
Disse que, na sua defesa, quando for chamado a apresentá-la, mostrará que Requião também já fez campanha contra o partido. "Ele fez campanha contra Ulisses Guimarães, em 1989, contra Orestes Quércia, em 1998, contra nossa vice, Rita Catama, em 2002, e contra dezenas de prefeitos que temos listados nas eleições municipais", disse Pessuti. "Além disso, o Rocha Loures, que está na frente desse processo, faz dobrada com diversos candidatos a deputado estadual que não são de nossa coligação", alegou. (Colaborou Luís Fernando Wiltemburg/Reportagem Local)

mockup