Brasília - O PMDB enviou ontem dois sinais claros de que caminha para deixar formalmente o governo da presidente Dilma Rousseff. No gesto mais enfático, o vice-presidente Michel Temer marcou e mandou publicar no "Diário Oficial" a data da reunião que vai deliberar sobre o desembarque da sigla da gestão petista. O encontro será no dia 29. Na segunda frente, nem Temer, nem nenhum nome da sigla no Congresso compareceu ontem à cerimônia de posse de Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da Casa Civil. A ausência de nomes simpáticos ao ex-presidente, como o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE), que foi ministro de Lula, evidenciou o distanciamento que mesmo as alas mais moderadas da sigla querem imprimir. Em nota, a assessoria de Temer afirmou que o PMDB considerava uma "afronta" do Planalto a nomeação do deputado Mauro Lopes (PMDB-MG) para ministro da Aviação Civil, mesmo após determinação da sigla de que ninguém ocupasse novos cargos antes da decisão final sobre o divórcio de Dilma e do PT. A saída do PMDB da base aliada de Dilma condenará o governo a um isolamento político profundo e é considerado fator determinante para liquidar a governabilidade. O partido é o maior do Congresso e tem hoje sete ministérios. Seu movimento será visto como "senha" para que legendas menos expressivas, como PP e PR, também retirem seu apoio ao governo.

mockup