PMDB segue dividido para convenção amanhã
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quarta-feira, 18 de junho de 2014
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba - A poucas horas da convenção que decidirá os rumos da legenda e, provavelmente, das eleições de outubro no Paraná, o PMDB segue dividido. De um lado, parlamentares que defendem a candidatura própria, no caso de Roberto Requião (PMDB), dizem ser importante "resgatar a história do partido". De outro, entusiastas da coligação com o governador Beto Richa (PSDB), acusam o senador de falta de diálogo com as bases. A votação começa às 8 horas de amanhã, no Clube Urca, em Curitiba, devendo se estender até o final da tarde.
Ontem, na última sessão da semana na Assembleia Legislativa (AL), deputados de ambos os lados acabaram se exaltando ao defender seus pontos de vista. Únicos dos 13 integrantes da bancada a apoiar publicamente o nome de Requião, Cleiton Kielse e Anibelli Neto criticaram o anúncio do ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), que no dia anterior desistiu da candidatura própria para engrossar a lista de "adesistas". Ele pode ser tanto candidato avulso ao Senado, disputando votos com Alvaro Dias (PSDB), como a vice-governador. Os discursos dos parlamentares foram seguidos de réplicas dos líderes do governo, Ademar Traiano (PSDB), e do DEM, Elio Rusch.
"O governante não tem de ser amigo de ninguém, e sim da população", disse Kielse, ao se referir a Requião. "Trata-se de um candidato com 30% de intenção de votos nas pesquisas", continuou. A favor da coligação, Stephanes Jr. chegou a fazer um sinal para que o deputado Douglas Fabrício (PPS), que no momento presidia a plenária, cortasse o microfone do colega, entretanto, não foi atendido. "Eu o respeito e ele deve me respeitar", prosseguiu o orador. "Sou do PMDB e não do PSDB. Teremos uma grande vitória, que irá resgatar o caráter e a decência deste partido", completou Anibelli, em um aparte.
Para Traiano, Cleiton Kielse não tem condição nem história para condenar os peemedebistas que optam pela coligação. "Fico estarrecido com a fala do deputado, se mostrando o único com conduta ética. Quem não lembra que ele já foi do PFL e verticalmente contra a candidatura do Requião?", questionou, ao subir à tribuna. Aliado de Beto Richa, Rusch foi na mesma linha, dizendo serem incoerentes as posições do peemedebista, que "votou pela privatização do Banestado (Banco do Estado do Paraná)".
Votação
De acordo com o presidente estadual do PMDB, Osmar Serraglio, a convenção será dividida em vários momentos. Das 8h às 11h30, votam os delegados titulares e, das 11h30 até por volta de 15h, os suplentes. Caso a opção seja pela coligação com o PSDB, haverá ainda uma segunda votação, no período da tarde, que definirá o candidato a vice-governador. Cerca de 500 convencionais de todo o Estado devem participar.
"Na cédula, eles vão primeiro responder a uma primeira questão, se são a favor da coligação ou da candidatura própria. Depois, apresentaremos a lista da eleição proporcional, que não está fechada, porque depende das negociações com outros partidos que podem integrar o chapão. E então eles dirão se entregam à comissão executiva a responsabilidade de negociar essa lista, no sentido de acrescentar ou retirar nomes", explicou.
Pela primeira vez desde que seu nome foi especulado para integrar a chapa de Beto, Serraglio se apresentou ontem como "candidato a candidato a vice". "Vou disputar a vice-governadoria, desde que seja vencedora evidentemente a coligação. O (Orlando) Pessuti tem dito que se eu admitisse que sou vice, ele retiraria a dele. Então imagino que deva ser eu e o Caíto (Quintana, deputado estadual), por enquanto."


