O líder do PMDB na Câmara, Michel Temer (SP), já comunicou ao governo que não há condições políticas para aprovar em janeiro, no plenário da Câmara, a emenda que permite a reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso. ‘‘Temos um compromisso político com a aprovação da emenda na comissão especial e vamos cumpri-lo’’, disse Temer aos líderes governistas. ‘‘No plenário, no entanto, ela não passa enquanto não houver um acordo entre o governo e o PMDB.’’ A votação ficará para depois das eleições para as presidências da Câmara e do Senado, como decidiu domingo a convenção do PMDB.
O governo praticamente jogou a toalha depois de refazer as contas do mapa eleitoral. As bancadas do PMDB do Pará, da Paraíba e de Goiás, que estavam em todas as listas de votos a favor da reeleição, foram imobilizadas por seus líderes, respectivamente os senadores Jader Barbalho, Ronaldo Cunha Lima e Iris Resende. O governo deixou de contar também com os deputados influenciados pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Na contagem mais otimista, dos 308 votos necessários a reeleição perderia 27. Na mais pessimista, 40.
‘‘Reuni os cinco deputados do Pará e decidimos seguir o que determina a convenção’’, disse Jader Barbalho. ‘‘Se tentarem votar em janeiro, não vamos comparecer.’’ Michel Temer relatou aos governistas esta situação em duas reuniões. Tudo o que o líder e candidato oficial à presidência da Câmara conseguiu manter foi a votação na comissão especial, que já havia sido negociada, na véspera, pelo próprio presidente da República, em longa reunião com os três representantes titulares do PMDB na comissão.



Governo refez as
contas do mapa
eleitoral
e desistiu


Temer recebeu os três deputados - Maria Elvira (MG), João Natal (GO) e José Aldemir (PB) - que lhe disseram ter acertado com o presidente o adiamento da votação para amanhã (15). ‘‘Desculpem, mas preciso conferir’’, devolveu o líder, antes de ligar para o Planalto. ‘‘Não foi isso o que combinei’’, devolveu o presidente. ‘‘Quero um gesto do PMDB na sessão de hoje.’’ O gesto foi o adiamento, aprovado na comissão a pedido do PMDB. ‘‘Pelo menos, mantemos a comissão funcionando’’, explicou o líder, confiante na aprovação da emenda.
‘‘Amanhã (hoje) será outro dia’’, disse o deputado dissidente João Almeida (PMDB-BA). O líder do governo na Câmara, deputado Benito Gama (PFL-BA), admitiu que o calendário fica condicionado a uma verificação do mapa às vésperas de cada votação. Originalmente, o governo queria votar a emenda em primeiro turno na quarta-feira da semana que vem, e em segundo turno na terça seguinte.
É praticamente impossível que isso aconteça, não só só pela influência dos senadores rebeldes na Câmara, mas pelo ambiente criado no PMDB após a convenção e a reação do governo, que cobrou fidelidade.’’

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