PMDB se dispõe a abrir CPI da Sercomtel
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Cristiane OyaReportagem Local 
A bancada do PMDB na Assembléia Legislativa do Paraná deverá iniciar na próxima segunda-feira, na abertura dos trabalhos da sessão legislativa do ano, a coleta de assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), destinada a investigar a venda de 45% das ações da Sercomtel para a Companhia Paranaense de Energia (Copel), em maio de 1998.
''O governador Roberto Requião (PMDB) sugeriu que apresentássemos o pedido de CPI para investigar aquele monumental caso que ocorreu em maio de 98, cinco meses antes das eleições que elegeram Jaime Lerner (PFL), e que comprometeu R$ 186 milhões. Foi uma transação nebulosa, cheia de mofo, e é necessário que haja investigação'', afirmou o deputado estadual e primeiro secretário da Mesa Executiva da Assembléia, Nereu Moura.
Moura acredita que o pedido, que necessita de 18 assinaturas para ser colocado em votação pelo plenário, deverá ser subscrito pelos 54 deputados. ''A base de apoio ao governo é composta por 21 deputados, o suficiente para criar a CPI, mas não temos dúvida que terá a assinatura dos 54'', disse.
A deputada Elza Correia (PMDB), que exerceu dois mandatos como vereadora em Londrina, apóia a investigação. ''Sempre fui muito crítica quanto a forma da negociação. Temos que esclarecer a nuvem de fumaça que paira sobre isso. A população tem que saber o que foi feito. Essa negociação tratou do dinheiro público'', justificou.
Em maio de 1999, a Assembléia instaurou uma CPI para averiguar a transação, mas a comissão foi arquivada menos de 48 horas após a abertura. ''Os deputados que subscreveram o pedido misteriosamente retiraram as assinaturas e a CPI foi sepultada'', recordou Moura.
As negociações de ações da empresa de telefonia londrinense iniciaram-se durante a administração do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida (então PT, hoje PMDB), com o empréstimo de R$ 22 milhões tomado ao Banco FonteCindam, caucionando ações da Sercomtel. O empréstimo venceu na gestão do ex-prefeito (cassado) Antonio Belinati (então PFL, atualmente sem partido), que renegociou a dívida. Logo após, a Copel comprou as ações da Sercomtel e teria pago o empréstimo ao FonteCindam no valor de R$ 47 milhões. O Ministério Público em Londrina, que já comprovou o desvio de quase R$ 20 milhões dos cofres públicos municipais durante a administração de Belinati (1997/2000), também investiga essa negociação.
Além da proposta de investigação da Sercomtel, também deverão ser apresentados pedidos de abertura de CPIs para averiguar as concessões para exploração do pedário nas rodovias paranaenses e os Jogos Mundiais da Natureza. Cada comissão deve ser composta por sete deputados.


