Brasília - O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), sofreu ontem uma derrota no seu próprio partido. Em votação secreta, a Comissão Executiva Nacional do PMDB decidiu rejeitar a proposta de emenda constitucional que permite a sua reeleição e a do presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), em fevereiro de 2005, para mais dois anos de mandato.
A decisão da Executiva por 12 votos a 2 e uma abstenção fortalece a posição do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), que tem cobrado publicamente do governo Lula o cumprimento de um acordo firmado entre PMDB e PT em janeiro de 2003, segundo o qual ele sucederia Sarney no biênio 2005-2006.
Reunidos ontem à tarde, os 23 senadores da bancada do PMDB não ratificaram a decisão da Executiva. Preferem aguardar a emenda chegar ao Senado para tirar uma posição sobre o assunto. Questionado sobre a decisão, Sarney disse que não vai brigar pelo direito de se reeleger. ''Não entro nessa briga. Só me arrependo das brigas em que entrei.''
A reunião da Executiva foi convocada a pedido de Renan, que quis forçar uma deliberação do PMDB diante da iminência de votação do texto na Câmara. A proposta está em comissão especial naquela Casa. Se for aprovada no plenário, seguirá para o Senado. A Constituição (artigo 57, parágrafo 4º) veda a recondução dos integrantes das Mesas das duas Casas do Congresso para o mesmo cargo numa mesma legislatura, que tem duração de quatro anos.

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