A Convenção Nacional do PMDB rejeitou ontem o lançamento de candidatura própria a presidente da República, uma vitória de Fernando Henrique Cardoso. O resultado foi 389 votos contra, 303 a favor e 5 em branco. O apoio oficial do partido à reeleição de FHC, porém, só será definido em junho, quando os peemedebistas terão de decidir qual candidato vão apoiar. Junho é o mês estabelecido pela Lei Eleitoral para definição de candidaturas e coligações.
O clima da convenção de ontem reforça a idéia de que o PMDB seguirá dividido na campanha eleitoral de outubro. O senador Ronaldo Cunha Lima (PB), que defendeu a candidatura própria, disse: ‘‘Houve uma descortesia. Humilharam o Itamar Franco. Vai ser difícil reconstruir a unidade do partido’’. O senador Roberto Requião (PR) e o ex-governador Orestes Quércia (SP) já haviam afirmado, antes do encontro, que não seguiriam o resultado no caso de derrota. Requião disse que trabalhará pelo apoio do PMDB ao candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, na convenção de junho.
Esse racha anunciado do PMDB significa que FHC deve ter apenas o apoio da parcela peemedebista que já o apóia hoje. Os perdedores de hoje devem migrar para outras candidaturas ou permanecerão neutros. Brigas e confrontos físicos entre manifestantes e insultos pessoais entre os principais líderes do partido marcaram a convenção. Parte do plenário foi tomada por militantes pagos pelos governistas e por integrantes do MR-8, grupo político ligado ao ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (leia sobre esse isso na página 4).
O maior derrotado na convenção foi o ex-presidente Itamar Franco, que desejava ser o candidato do PMDB. O Palácio do Planalto temia que a candidatura de Itamar levasse a disputa para o segundo turno. Os governistas jogaram pesado na convenção, com ataques pessoais a Itamar. O ex-presidente foi humilhado. O aspecto mais lembrado foi a sua participação na chapa de Fernando Collor (PRN), nas eleições presidenciais de 1989, contra Ulysses Guimarães (PMDB).
O governo decidiu a convenção na última semana, com promessas de liberação de verbas e indicações de parlamentares que ameaçavam votar a favor da candidatura própria para cargos no governo. No final da tarde de sábado, o ministro Iris Rezende (Justiça) fechou um acordo com o governador Paulo Afonso Vieira (SC), garantindo mais 28 votos favoráveis no Estado. Paulo Afonso teve a promessa de ajuda do governo para liberar R$ 200 milhões do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para privatizar empresas estaduais.
O presidente Fernando Henrique Cardoso passou o dia em sua residência, o Palácio da Alvorada. Ele foi informado sobre a convenção do PMDB pelo ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB-RS). Os dois trocaram pelo menos quatro telefonemas durante o dia.

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