Curitiba - De olho em uma possível composição com o PSDB em caso de segundo turno nas eleições deste ano, o PMDB decidiu recuar e solicitar ontem, ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE), a retirada do pedido de impugnação da candidatura ao governo do tucano Beto Richa.
O pedido de impugnação contra o filho do ex-governador José Richa foi protocolado anteontem junto ao TRE, em nome de Doático dos Santos, filiado ao PMDB e fiel-escudeiro do senador Roberto Requião, o candidato do PMDB ao governo. Assim que soube o pedido de impugnação, o comando estadual do PMDB se articulou rapidamente para não abrir uma crise política.
Em nota encaminhada à redação, a direção estadual do PMDB afirma que ''não entrou com nenhum pedido de impugnação a candidatos de outros partidos''. O texto diz ainda que o PMDB ''orientou militantes que tomaram iniciativa para que retirassem as ações''. Diretórios municipais entraram com pedidos de impugnação contra candidatos a deputado estadual, mas a executiva estadual frisa que não foi orientação sua.
''Não queremos atrito com o Beto Richa, pelo menos enquanto ele não estiver no nosso calcanhar'', justificou Doático dos Santos, o responsável pela trapalhada que pôs em risco a boa convivência entre as duas siglas.
Para embasar o pedido de impugnação, Doático vinculou a candidatura de Beto às investigações em busca de um caixa 2 na campanha de 2000, quando Cassio Taniguchi (PFL) foi reeleito prefeito de Curitiba, e Beto seu vice. A assessoria de Beto informou que o nome dele não aparece em nenhuma denúncia relativa ao caixa 2. O comando da campanha de Cassio e Beto é acusado de não registrar pelo menos R$ 17 milhões na contabilidade entregue à Justiça Eleitoral.
Doático dos Santos disse que resolveu retirar o pedido de impugnação porque não sabia do teor do documento. Ele disse que passou uma procuração para a área jurídica do partido usar seu nome, e os advogados tomaram a iniciativa.
O mal-estar, entretanto, ainda não está desfeito. A solicitação de desistência, por parte do PMDB, de impugnar Beto Richa, será analisada pelo presidente do TRE, desembargador Gil Trotta Telles. Se o presidente entender que não cabe a retirada, ele encaminha o pedido de impugnação ao procurador do TRE, que assume a legitimidade do pedido.
O PMDB também enviou nota ao jornal informando que o candidato ao Senado pelo PMDB, o ex-governador Paulo Pimentel, encaminhou ontem ao TRE sua defesa. O nanico PTC pediu a impugnação de Pimentel argumentando que ele não teria se desincompatibilizado da direção da rádio e TV Iguaçu e da Editora O Estado do Paraná, seis meses antes da eleição como manda a lei eleitoral.
A defesa, segundo o partido, contém documentos que comprovariam que ele se desligou da direção no dia 3 de abril, antes de expirar o prazo. Segundo os advogados, foi encaminhado à Junta Comercial ata anotando o afastamento de Pimentel.
A assessoria de imprensa do TRE informou, no início da noite de ontem, que nenhuma defesa havia dado entrada. O prazo para a defesa é de sete dias, a partir da notificação.

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