Depois de dois meses de sucessivos desgastes na defesa do Imposto Seletivo sobre os Combustíveis, mais conhecido como Imposto Verde, o PMDB foi obrigado a ceder às pressões e aceitar a proposta do governo de tornar viável o tributo como uma proposta de emenda constitucional (PEC). Isso fará com que o Imposto Verde passe a vigorar apenas em 2000, causando um prejuízo para o Ministério dos Transportes de R$ 2,5 bilhões em 1999 na recuperação de rodovias, portos e ferrovias.
Esse era a expectativa de arrecadação com a aprovação do tributo nos próximos meses. O governo agora estuda uma forma de compensação, mas que não será superior a R$ 900 milhões - de qualquer forma, haverá uma perda de receita para a pasta pertencente ao PMDB, de pelo menos R$ 1,6 bilhão. A notícia serviu como gota d’água para agravar a insatisfação da bancada peemedebista no Congresso, em relação ao tratamento que vêm recebendo do governo.
Ontem, durante o encontro no Palácio do Alvorada do presidente Fernando Henrique Cardoso com os 101 deputados do partido, o líder da bancada, Geddel Vieira Lima (BA), foi cordial. Mas deixou claro ao presidente que o partido irá manter a condição crítica em relação à política econômica do governo. Enquanto isso, o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, tentava minimizar a decisão de adiar para 2000 a cobrança do tributo.
‘‘O Imposto Verde não existe mais’’, comentou Padilha. ‘‘A avaliação política do governo é que era melhor deixar para o próximo ano a vigência do imposto’’, comentou o ministro. Segundo ele, a fórmula do novo imposto deverá ser feita pelo Ministério da Fazenda e apresentada na Câmara pela liderança do governo. Ontem, os assessores parlamentares começavam a colher assinaturas para a apresentação da PEC.

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