PMDB reclama de desgaste com indefinição
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de janeiro de 2004
Raquel Ulhôa<br>Agência Folha 
Brasília - Incomodados com a demora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em definir quais ministérios caberão ao PMDB, senadores do partido protestam contra as negociações da cúpula peemedebista com o Palácio do Planalto. Para eles, a indefinição do governo desgasta o partido, reforçando a pecha de fisiológico da qual peemedebistas tentam se livrar. Alguns são contrários à participação no governo.
''Há um ano que se fala da entrada do PMDB no ministério e até agora o governo não tem uma proposta firme para o partido. Dá a impressão de que o PMDB está esmolando, mendigando um ministério'', afirmou o senador Ramez Tebet (MS), ex-presidente do Senado.
Para Gilberto Mestrinho (AM), a hesitação de Lula em bater o martelo enfraquece tanto o PMDB quanto o governo, já que gera insegurança entre os ministros, ameaçados de demissão. ''Chegamos a um ponto que temos de definir'', disse. Para ele, a próxima semana é a ''data-limite'' para uma definição, por causa da convocação extraordinária do Congresso que começa no próximo dia 19.
Os senadores Ney Suassuna (PB) e Pedro Simon (RS), presidente do PMDB do Rio Grande do Sul, defendem que o partido continue apoiando o governo sem cargos, para manter a independência. ''A gente está vendo que o difícil para o presidente não é botar gente nossa. É tirar gente deles. A demora na definição é tão grande que hoje mais de um terço do partido acha que deveríamos continuar apoiando a governabilidade, sem ministérios'', disse Suassuna.
Numa outra linha, o senador João Alberto (MA) considera a indefinição do Planalto um ''processo natural'' e defende o espaço do PMDB na Esplanada dos Ministérios. ''O partido já está apoiando. Ter cargos será importante, dará status e discurso para nós que apoiamos o governo'', afirmou.
A maioria dos senadores do PMDB estará em Brasília na próxima semana para uma reunião da bancada a ser convocada pelo líder, Renan Calheiros (AL). Eles querem participar da escolha do nome que o PMDB do Senado apresentará ao governo para ocupar um dos ministérios. Para ocupar a outra vaga, a bancada da Câmara já escolheu o nome do líder da Câmara, deputado Eunício Oliveira (CE), com apoio da cúpula partidária. No Senado, Renan diz que há nove candidatos.


