PMDB quer ter 'independência' de Lula
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de novembro de 2004
Folhapress 
São Paulo - O presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), anunciou ontem em São Paulo, depois de uma reunião com quatro dos seis governadores do partido (mais o interino de Santa Catarina), que a legenda pretende adotar uma postura ''independente'' em relação ao governo federal e, para tanto, irá propor que seus dois ministros (Previdência e Comunicações) deixem suas funções. Temer negou que a intenção da proposta seja fazer oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). ''Não falamos em oposição'', afirmou. ''O PMDB terá um projeto próprio, com candidatos à Presidência e a governos estaduais, em 2006, e para tanto, devemos ficar em posição de independência ao governo federal.''
A idéia de ''independência'' do partido passa, ainda, por outras questões. Uma delas, de caráter mais emblemático, é a mudança da denominação da sigla. Ao invés de PMDB, simplesmente MDB. O partido quer, ainda, mudanças na política econômica. ''Neste governo nada se modificou'', avaliou Temer. E vai encabeçar um projeto para acabar com a verticalização das alianças eleitorais, como determinou a Justiça Eleitoral em 2002. Os governadores defenderam uma ''revisão do pacto federativo'' para dar mais autonomia aos Estados.
O apoio do partido na Câmara tem sido fundamental para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovar projetos de interesse do Executivo. Na Câmara, o PMDB tem 79 deputados. No Senado, onde o governo tem dificuldades de conseguir maioria, o partido tem 23 senadores.
Temer classificou o consenso dos governadores como ''conclusões sugestivas''. Elas serão debatidas em um encontro, na próxima quarta-feira, em Brasília, do qual participarão também deputados federais, senadores e presidentes de diretórios estaduais. Nessa reunião, o partido irá marcar uma convenção nacional para sacramentar as decisões.
O desembarque dos ministros, portanto, como admitiu o próprio Temer, não é para já. ''É um processo'', esclareceu. No entanto, depois que a convenção firmar posição sobre o assunto, será cobrada fidelidade partidária. ''Haverá regras disciplinares que impedirão os ministros de continuarem nos cargos, caso seja essa a decisão da convenção.'' O ex-governador Orestes Quércia, presidente do diretório regional de São Paulo, foi mais taxativo: ''Se houver a decisão, eles vão sair e acabou. Ou sai do governo ou sai do partido.'' Temer negou que a manifestação de ''independência'' em relação ao governo tenha como objetivo obter mais cargos para o partido. ''Não queremos ampliação do espaço.''
O ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, disse que ''o que talvez seja necessário é aproximar ainda mais o projeto de país, de poder, que une o PMDB e o governo''. Para o ministro, ''não é propriamente uma participação maior o que o PMDB reivindica''. Para ele, ''é preciso uma cooperação mais próxima para que o PMDB se sinta mais confortável e melhor representado do ponto de vista dos projetos e das idéias no governo federal''.


