Brasília - Dirigentes do PMDB defenderam ontem, na convenção nacional do partido, que a sigla se prepare para lançar candidato próprio na sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O discurso unânime é que a parceria entre os partidos que sustentam o governo Lula deve ser mantida em 2010, mas que o candidato desta vez será do PMDB.
''O partido vai construir candidatura própria e dentro da coalizão. Nosso desejo é que tenhamos candidato à Presidência da República apoiado por todos os partidos da coalizão. Aliás, tenho até ouvido muita gente de outros partidos fazendo a mesma avaliação, ou seja, o candidato tem que sair da coalizão'', afirmou o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP).
Para o ex-governador de Minas Newton Cardoso, Temer ''é obrigado a lançar candidato em 2010, senão ele vai ficar queimado''. Cardoso defende que o nome do candidato seja construído ''agora porque não tem ninguém forte, ninguém que sensibilize a base''.
O atual presidente do PMDB, deputado Michel Temer, foi reeleito para ficar no cargo no biênio 2007-2008 com 80% dos votos dos convencionais do partido. Dos 602 votos, Temer foi eleito com 598. Apenas dois votos foram em branco e dois nulos. A convenção foi marcada pela ausência do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e do senador José Sarney (PA), que discordam da reeleição de Temer, mas ficaram isolados nessa posição. Temer ironizou a ausência dos dois: ''Seria de uma grandeza estupenda se eles estivessem aqui. São pessoas de grande envergadura política, portanto poderiam vir aqui participar dessa estupenda convenção''.
O deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) também comentou a ausência dos dois senadores. ''Esse é o momento de o fígado falar, depois vai ter o momento de homens experientes e competentes como os dois deixar que o cérebro tome conta das conversas e invista na unidade do PMDB.''
Garotinho - O ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho (PMDB) trocou ontem o discurso de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo de apoio à coalizão. Em discurso na convenção do PMDB, Garotinho ponderou que o partido não pode ser uma ''sucursal do PT'', mas deve garantir ao presidente apoio incondicional.
Segundo Garotinho, não há mais espaço no PMDB para fazer oposição ao governo. ''Aqueles que fazem o jogo dúbio não terão mais espaço no PMDB. O PMDB não faltará ao governo do presidente Lula'', disse.
Garotinho instou o PMDB a defender o governo ''em todos os momentos em que a direita tramar contra o governo, que o PFL e o PSDB tentarem armar contra o presidente''. Segundo interlocutores do ex-governador, a mudança no discurso tem como objetivo evitar seu isolamento político. Crítico do primeiro mandato do presidente Lula, Garotinho se viu isolado com a aliança entre Lula e o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e decidiu demonstrar sintonia com o governo, até mesmo para se cacifar como um nome da coalizão para a sucessão de 2010.

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