Curitiba A equipe de transição montada pelo PMDB quer que o governo Jaime Lerner (PFL) suspenda imediatamente seu plano de terceirizações, que passa pelos presídios paranaenses e se estende até a área cultural. Outro alvo de críticas dos peemedebistas são as empresas paraestatais (um misto de público e privado) criadas pela atual administração. Como o governo não tem demonstrado disposição em recuar, o PMDB planeja acabar tanto com as terceirizações quanto com as paraestatais a partir do ano que vem, quando o governador eleito Roberto Requião (PMDB) toma posse.
''Somos contra esse processo de terceirização'', declarou o porta-voz da equipe de transição, o vice-governador eleito Orlando Pessuti (PMDB). ''E também não concordamos com as paraestatais, dentro dessa tendência de criação de organizações sociais que cuidam de atividades de interesse público'', emendou. Pessuti revela que a predisposição do governador eleito é acabar com as paraestatais. ''E é minha opinião também. Não sou a favor da forma como foram implantadas'', disse. Para Pessuti, falta transparência ao Estado na gestão das paraestatais, já que o controle está nas mãos da iniciativa privada, e clareza em seus objetivos que em tese são obrigações do Estado. O PMDB ainda não definiu como podem ser efetivados, juridicamente, o possível fim das paraestatais e o freio nas terceirizações.
No caso do sistema prisional assunto já sobre a mesa de negociação das equipes de transição do PMDB e de Lerner , do total de 15 presídios, oito foram construídos no governo do pefelista. Desses oito, seis são terceirizados. Até o final do ano, outros três devem ser abertos, possivelmente terceirizados. As informações são da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança. A justificativa do governo para esse procedimento é que possibilita mais segurança no controle dos presídios. O assunto será discutido em reunião marcada para esta segunda-feira entre as equipes de transição do atual governo e do PMDB.
A terceirização chegou também à área cultural. A Secretaria de Estado da Cultura decidiu que o Canal da Música passará a ser administrado por uma organização de caráter privado. O prédio do Canal da Música, no Bairro Mercês, já foi sede da TV Tupi e hoje abriga o Canal Paraná (ex-TV Educativa). O alto escalão do governo, porém, prefere explicar a terceirização com outras palavras. A secretária Mônica Rischbieter afirmou que será criada uma associação para fomentar a programação que o local oferece. O prédio foi reformado pelo governo no final da década de 90, depois de vários anos de abandono.
Outro problema está no setor da Educação. A APP-Sindicato, o sindicato dos professores do Paraná, anunciou nesta semana que vai denunciar ao Ministério Público a privatização do ensino público estadual. Alunos e professores do Instituto Politécnico do Paraná (IPE) apresentaram documentos na tentativa de comprovar o processo de privatização que estaria ocorrendo na escola. Segundo eles, o IPE é uma escola pública do ensino médio voltada à formação profissionalizante, gerenciada pela Paranatec, que vem cessando a oferta do ensino médio e oferecendo cursos pós-médio pagos.

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