O PMDB da Câmara ameaça retaliar o governo se não emplacar o deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) no Ministério dos Transportes. A inquietação do grupo ligado ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), aumentou desde a noite de sexta-feira, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso comunicou que deputados e senadores do partido dividiriam o comando das Pastas da Justiça e dos Transportes.
‘‘Se o ministério é do PMDB, que nos deixe fazer o ministro; se não é, que faça quem quiser e arque com as consequências’’, resumiu um dirigente do partido. ‘‘Pode até não ter reeleição’’, completou o parlamentar, ao lembrar que a emenda que permite a Fernando Henrique disputar um segundo mandato está sendo modificada pelo Senado e, por isso, fatalmente voltará a ser examinada pelos deputados, incluindo aí os peemedebistas.
Segundo um cardeal do PMDB, Fernando Henrique disse a Temer que gostaria de ver o deputado Aloysio Nunes Ferreira (PMDB-SP) nos Transportes. Amigo do presidente e do ministro das Comunicações, Sérgio Motta, o deputado era o preferido do Palácio do Planalto para a Justiça, mas sua passagem pela Secretaria Metropolitana de Transportes na administração Fleury Filho o credencia também para o comando do segundo ministério do PMDB.
Não há restrições ao nome de Aloysio Nunes Ferreira entre peemedebistas nem nos demais partidos da base governista. O problema para o governo é que o grupo de Temer, que reúne cerca de 60 deputados, insiste no nome de Eliseu Padilha para o posto. Primeiro vice-líder na Câmara, Padilha tem a simpatia do líder Geddel Vieira Lima (BA), de boa parte da bancada e do governador gaúcho Antônio Britto.
‘‘A questão não é de preferências pessoais, mas de contabilidade política’’, observa o cardeal do PMDB, ao perguntar se o governo pode se dar ao luxo de dispensar o voto de quatro dezenas de peemedebistas. Ele próprio responde à indagação, garantindo que o Palácio do Planalto não aprova nada na Câmara se perder 40 votos da base governista.
Aloysio Nunes foi cogitado para a Justiça num cenário de três ministérios para o PMDB. A terceira pasta seria criada a partir do fortalecimento da Secretaria de Políticas Regionais, para atender ao PMDB do Senado que reivindica mais espaço no Executivo federal. Como Fernando Henrique desistiu do terceiro ministério, a Justiça deve ficar com um senador.
O nome mais forte no Senado é o de Ramez Tebet (MS), o advogado que relatou o projeto Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) em favor do governo. Também são cogitados os senadores Renan Calheiros (AL) e Gerson Camata (ES), este último apadrinhado pelo líder do governo no Senado, Élcio Alvares (PFL-SF). Ao contrário de Calheiros, que tem o apoio do PSDB, Camata enfrenta resistências dos tucanos. Com o ex-prefeito Paulo Hartung, o PSDB capixaba é hoje o favorito na briga pelo governo do Estado que o senador Camata quer disputar em 1998.

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