PMDB quer dissolver 96 diretórios
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de maio de 2005
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
O presidente da Executiva municipal do PMDB em Maringá, Umberto Crispim de Araújo, acusa o secretário-geral da sigla no Estado, Luiz Cláudio Romanelli, de fraude e formação de currais eleitorais em todo o Paraná. Crispim se refere à dissolução de quatro diretórios peemedebistas entre os quais o que ele preside e da proposta de dissolução dos existentes em outros 96 municípios.
Além de Maringá, foram dissolvidos este mês pelo comando estadual as composições do partido em Antonina, Rio Negro, Porto Amazonas e Paranapoema. Na ocasião, o presidente estadual do PMDB, deputado Dobrandino da Silva, justificou o procedimento chamado por ele de ''reoxigenação do grupo'' pelo fraco desempenho dessas cidades nas últimas eleições e pelo reflexo disso nos trabalhos pela reeleição do governador Roberto Requião, ano que vem.
Em visita ontem à Redação da Folha com o delegado estadual do PMDB, Jaime Correa, Crispim criticou o secretário-geral pelo suposto não cumprimento do Estatuto Nacional da sigla. Pelo artigo 61 do material, explicou, a dissolução de diretórios só poderia ser feita com a anuência da maioria absoluta dos 71 integrantes da Executiva Estadual, ou seja, 36 votos. Ele mostrou a convocação assinada em 18 de novembro de 2004 por Romanelli para uma reunião feita em 6 de dezembro. Conforme o documento, os tópicos forneceriam ''subsídios à Convenção Nacional, designada para 12 de dezembro''.
''Escreveram na ata dessa reunião um quinto tópico que delega poderes ao comando estadual para dissolver e intervrir em diretórios, quando na verdade isso não foi discutido'', reclamou Araújo. Além disso, continua, constam da ata à qual a Folha teve acesso 28 assinaturas, o que inviabilizaria a aprovação pelo que determina o Estatuto. ''Em 32 anos de filiação ao PMDB e 16 deles no diretório de Maringá, nunca vi uma coisa dessas. É um abuso de poder, algo ditatorial, em pleno estado de direito; e o que é pior: sem um critério técnico. É pessoal'', avaliou. Por que isso estaria acontecendo? ''Porque ele (Romanelli) é pré-candidato, como eu, e quer montar currais eleitorais dissolvendo o sistema partidário'', acusou.
Uma tentativa de embasamento da denúncia, na análise de Crispim, é o documento que circula na Estadual pedindo a dissolução de 96 diretórios pertencentes a 22 microrregiões entre as quais, de Apucarana, Campo Mourão, Cornélio Procópio, Cascavel, Ponta Grossa e até Curitiba (mas de 13 municípios da Região Metropolitana, não da Capital).
''Alegam que a competitividade nossa é baixa, quando o Requião ganhou aqui nas três últimas eleições que disputou para o Governo. Em Londrina, ele perdeu a última (para o senador tucano Álvaro Dias); aqui ganhou com uma margem de 15 mil votos. Por que não dissolvem Londrina, onde ele perdeu, ou mesmo em Curitiba?'', questionou.
Também integrante titular do PMDB no Paraná, Araújo informou ter ingressado com recurso contra a dissolução na Executiva Estadual, no último dia 20. Dependendo do retorno, adiantou, o grupo em Maringá deverá ingressar uma ação cautelar contra o comando. Amanhã, membros que formam a base peemedebista no Noroeste realizam uma manifestação na Boca Maldita, em Maringá, em protesto às dissoluções em estudo.


