PMDB pretende realizar prévias com ou sem liminar
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sábado, 18 de março de 2006
Christiane Samarco<br> Agência Estado 
Brasília - O grupo oposicionista do PMDB pretende realizar as prévias marcadas para este domingo mesmo que haja uma decisão contrária da Justiça. Na sexta-feira, os governistas tinham ganhado uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que acabou cassada no final do dia. Entretanto, o ministro Hamilton Carvalhido, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), concedeu na noite de sexta-feira outra liminar ao PMDB que garante a realização das prévias do partido, marcadas para amanhã.
A estratégia dos que defendem a candidatura própria é clara: ''A gente faz as prévias e depois vê o que acontece'', conforme resumiu o presidente nacional do partido, deputado Michel Temer (SP), aos dois pré-candidatos ao Planalto o ex-governador Anthony Garotinho (RJ) e o governador licenciado Germano Rigotto (RS). Eles decidiram repetir a estratégia bem sucedida de 2004, quando mantiveram a convenção nacional suspensa por uma liminar derrubada antes do encerramento da reunião.
A diferença, agora, é que além do boicote dos governistas, terão de enfrentar a resistência de diretórios regionais preocupados com a regra da verticalização das coligações.
No cenário da proibição de alianças estaduais entre partidos adversários na disputa presidencial, boa parte dos diretórios recusa-se a aceitar os limites impostos por uma candidatura própria.
É este grupo que promete desmontar as prévias em 12 Estados (AM, AP, AL, BA, CE, MA, PA, PB, PE, PI, RO, RR e SE). Não por coincidência, o boicote deverá partir dos 12 diretórios que assinaram o pedido de nova convenção nacional em 8 de abril, convocada justamente para derrubar o candidato do PMDB ao Planalto, no caso de a consulta ser realizada e validada pela Justiça.
O que dá segurança a Temer e aos pré-candidatos na ofensiva para manter as prévias, hoje, são as regras que eles próprios aprovaram para a consulta. O critério adotado dá a cada Estado um peso que não corresponde ao número de eleitores das prévias.
O Rio Grande do Sul de Rigotto, por exemplo, tem 3.303 eleitores. Mas, com o critério do peso, irão somar apenas 4,27% do total de votos das prévias no Brasil. Já o Rio de Janeiro de Garotinho, com apenas 1.237 eleitores, tem um peso maior. Os cariocas representam 14,11% da soma do País.
Com a tabela nas mão, Temer e os pré-candidatos fizeram as contas e concluíram que, a despeito do boicote dos diretórios governistas, eles poderão garantir 76% dos votos dos peemedebistas. Explica-se: pelo critério de pesos adotado, os 12 Estados que ameaçavam não participar das prévias na sexta-feira totalizam apenas 24% de todo o Brasil.
Na guerra de liminares, a maior preocupação dos partidários da candidatura própria era o fato de o presidente do STJ ser um velho amigo do senador José Sarney (PMDB-AP), um dos líderes da ala governista que mais trabalharam para desmontar a consulta. Diante da dificuldade de fugir de uma nova negativa do ministro Vidigal, no STJ, Temer convocou a assessoria jurídica do partido para estudar meios de levar o assunto ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois da má notícia de que o presidente do STF, ministro Nelson Jobim, estaria de plantão neste fim de semana, o que dava poucas chances ao grupo de reverter a situação, veio uma nova esperança. Jobim tinha uma viagem marcada e, com isto, uma eventual decisão seria dada pela ministra Ellen Gracie Northfleet. O grupo identifica Jobim como um governista e sabe que a ministra Ellen costuma acompanhar seu voto.


