Brasília - As articulações do PMDB para conquistar a coordenação política do governo podem ganhar contornos oficiais. A bancada do PMDB no Senado estuda a elaboração de um documento para pressionar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a entregar o cargo do ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) ao partido. Múcio é indicação do PTB. O texto traria falhas do ministro nas negociações com o Congresso.
A ideia do documento teria partido do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os peemedebistas devem argumentar no documento a derrota nas negociações para a prorrogação da extinta Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a falta de um posicionamento claro durante as últimas eleições para a presidência do Senado, na qual PT e PMDB estiveram em lados opostos, além das dificuldades em tratar de cargos para aliados.
Na briga por mais espaço no primeiro escalão, os peemedebistas esperam ganhar o apoio dos petistas. Para tentar convencer os correligionários do presidente Lula a apoiar a saída de Múcio, líderes do PMDB devem lembrar a disputa pelo comando da Comissão de Infraestrutura, conquistada pelo senador Fernando Collor (PTB-AL).
Dono da quarta maior bancada na Casa, com 13 senadores, o PT reivindicava a presidência da comissão de infraestrutura após PMDB, DEM e PSDB terem feito suas escolhas. O PTB, no entanto, venceu apesar de ter apenas sete senadores. Múcio saiu em defesa de Collor.
Além do cargo de Múcio, os peemedebistas reconhecem que querem a revisão de demissões na Infraero de indicados políticos do partido. Líderes consideraram ''arbitrárias'' as exonerações. Entre os demitidos estão Oscar Jucá, irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e Taciana Canavarro.
Robusto
Os ataques dos peemedebistas podem ter surtido efeito. O ministro participou ontem da reunião da coordenação política do governo, no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), que reúne os principais integrantes do governo, mas evitou os jornalistas. Múcio não fez o tradicional resumo do encontro. Ao contrário das outras reuniões, desta vez coube ao ministro Guido Mantega (Fazenda) e não a Múcio dar as informações sobre as discussões do grupo de coordenação política.
Questionado sobre a ausência de Múcio, Mantega negou qualquer relação com a pressão do PMDB e sustentou que o ministro está seguro no cargo. ''O ministro (Múcio) está bem e robusto'', disse Mantega. (Com Agência Estado)

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