Pela primeira vez desde que assumiu a liderança do PMDB, o senador Renan Calheiros (AL), admitiu ontem que o partido poderá romper com o governo ao lançar um candidato próprio na disputa presidencial – isso se não conseguir conciliar seu papel de aliado do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Segundo Calheiros, em princípio, o PMDB continuará dando sustentação ao governo de Fernando Henrique até que, se for o caso, a Executiva Nacional se manifeste de forma contrária, na reunião marcada para setembro. Mas essa posição poderá ser revista antes, se o governo impuser condições que obrigue os peemedebistas a apressar seus planos com relação ao nome que escolherá para candidato.
Embora suas declarações respondam à pressão feita ontem, em Tocantins, pelo presidente Fernando Henrique, Renan evitou o confronto. Ele disse que se limitava a expor a posição consensual no partido e não a dar satisfação a ‘‘A ou B’’. ‘‘O PMDB jogou com lealdade e transparência ao se decidir por uma candidatura própria’’, afirmou o senador. ‘‘Só não enxerga quem não quer ver’’, completou.
O líder disse que na conversa que manteve com Fernando Henrique, na quinta-feira, no Palácio do Planalto, deixou claro que é muito forte no partido a tendência favorável à entrega dos cargos federais, sem que isso venha a comprometer o apoio à governabilidade do País. Segundo ele, a questão da candidatura própria foi deixada de lado, porque não havia nada de novo para dizer ao presidente. ‘‘Não há força humana capaz de deter a candidatura própria do PMDB’’, garantiu. ‘‘É uma decisão irremovível’’.
O líder menosprezou as articulações que estão sendo feitas por lideranças do PFL e PSDB para livrar o PMDB do debate sobre a sucessão presidencial. Seu argumento é o de que o movimento está sendo feito por partidos que não se entendem internamente sobre esse assunto.
Para o presidente da Comissão de Fiscalização e Controle do Senado, Ney Suassuna (PMDB-PB) – outro aliado governista – o ‘‘desdém’’ demonstrado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao se referir ao PMDB é uma prova da sua preocupação com relação à possibilidade de perder o apoio do partido.
Na avaliação de Suassuna, o presidente e seus aliados que se queixam dos peemedebistas têm de entender que há um contrato em vigor que deve ser cumprido até que a Executiva Nacional decida se ele deve ou não ser renovado. ‘‘O presidente está valorizando o PMDB, ao pressionar para que o partido diga se fica ou não no governo’’, alegou.

mockup