Curitiba - O PMDB do Paraná oficializou na noite de anteontem a intenção dos convencionais do partido em se retirar do governo federal. Cerca de 300 militantes do partido decidiram por aclamação entregar os cargos nos ministérios da Previdência Social (ministro Almir Lando) e das Comunicações (ministro Eunício Oliveira). O partido também definiu mudança do nome da sigla: de PMDB para MDB. Os peemedebistas querem reviver as lutas do antigo MDB ''Velho de Guerra'', um dos principais líderes da luta pelas Diretas Já e contra o rigoroso regime militar.
O partido quer se tornar independente do PT para se fortalecer com vistas às eleições presidenciais de 2006. A decisão paranaense será levada para a convenção nacional marcada para o dia 12 de dezembro. Líderes nacionais do partido ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda tentam adiar a convenção nacional para evitar o rompimento com o governo federal. Para o secretário de Estado do Planejamento, Reinold Stephanes, o parlamento tende a praticar o fisiologismo e apostar no Poder Executivo. Entretanto, para crescer um partido precisa mostrar que tem personalidade.
''Os deputados ligados ao governo têm a tendência de pensar na sobrevivência que leva à prática do fisiologismo. Falta independência entre o Legislativo e o Executivo, que geralmente mantém o Legislativo sobre suas orientações e comando. Temos que romper isso'', apontou Stephanes. O PMDB do Paraná não estaria sendo beneficiado com o apoio empregado ao governo federal. ''Não ganhamos nada do governo Lula. Ao contrário'', disse o governador Roberto Requião. Entre os maiores problemas destacados por lideranças do PMDB estão: a obrigatoriedade da Copel entrar no pool de energia, o que fez com que a estatal tivesse que subsidiar energias caras de usinas mal-arquitetadas e que os consumidores paranaenses tivessem que pagar mais caro pela energia produzida no Estado; falta de recursos para melhoria do Porto de Paranaguá; e descaso com o processo de pedágio e a luta contra os contratos firmados no Paraná.
''O governo federal prefere, por exemplo, privatizar do que permitir a ampliação da rede estatal de portos. O repasse de recursos é quase nulo. Os Estados foram prejudicados na reforma tributária. O Paraná é o segundo estado exportador do País e não recebeu os recursos que deveriam ser destinados pela isenção de impostos que é obrigado a dar por força de legislação federal. Os governos estão desamparados. Esse afastamento era previsto e anunciado. Não tem como suportar mais essa situação'', ponderou Stephanes. O PMDB também reclama da falta de representatividade no governo federal que tem 35 ministros, sendo 20 do próprio PT.

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