PMDB poderá ser vice na reeleição de Lula
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sábado, 26 de março de 2005
Vera Rosa<br>Agência Estado 
Brasília - Antes de desligar os holofotes da agonizante reforma ministerial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ao chefe da Casa Civil, José Dirceu, uma tarefa espinhosa: organizar o palanque de alianças para o projeto de sua reeleição, em 2006. Lula quer casar de papel passado com o PMDB e oferecer ao partido a vaga de vice em sua chapa, desde que os peemedebistas marchem unidos em torno de sua candidatura ao segundo mandato. A missão é quase impossível.
Na prática, trata-se de movimento inverso ao que foi feito pela então prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), que rejeitou a dobradinha com o PMDB. Marta perdeu a eleição e agora quer concorrer à sucessão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), para desespero do Planalto, que torce para emplacar a candidatura do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP).
O presidente do PT, José Genoino, foi escalado por Lula para ajudar Dirceu na missão 2006 e, principalmente, para ''tourear'' o partido. Motivo: se depender de Lula, o PT não terá candidato próprio ao governo de vários Estados, para facilitar a montagem da aliança nacional - ordem comparável a mexer num vespeiro.
No Rio Grande do Sul, por exemplo, Lula quer que o PT apóie a reeleição do governador Germano Rigotto (PMDB), mesmo se tiver de sacrificar a candidatura do petista Olívio Dutra, hoje ministro das Cidades. ''Não vamos ligar os motores de 2006 em 2005'', desconversa Genoino. ''Estamos abertos a discutir tudo, mas não ter candidato no Rio Grande do Sul é uma coisa muito difícil.''
Economia - Apesar das negativas oficiais, os ministros do PT e a cúpula do partido estão, sim, preocupados com o projeto da reeleição de Lula. Diante do aumento da taxa de desemprego registrada na semana passada, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, foi taxativo: disse que taxas de juros altas, em qualquer país do mundo, prejudicam o mercado de trabalho.
''Oitenta por cento do humor político do País decorre da situação da economia, especialmente da geração de empregos. Então, é preciso combinar como atingir metas de inflação e metas sociais'', afirma Berzoini, um dos sobreviventes petistas da reforma ministerial. Para ajudar Lula a conseguir um segundo mandato, o PT também jura de pé junto que não vai reivindicar mais espaço no governo nem jogar torpedos contra o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, do PC do B. Poucos acreditam.
''Reforma ministerial é um assunto encerrado'', repete Genoino, parafraseando o presidente. ''O PT, enquanto instituição não cria dificuldades para o presidente. Eu sempre defendi o governo de coalizão.'' Genoino realmente defende, mas, no partido há um descontentamento amplo, geral e irrestrito com os rumos da gestão Lula.
Dos radicais aos moderados, a insatisfação atinge todas as facções de militantes. A ala ''esquerda'' do PT, inclusive, chegou a torcer o nariz para a indicação do deputado petista Paulo Bernardo (PR) no Planejamento porque ele representa a vitória do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sobre Dirceu. Mas, apesar do lobby a favor do deputado Jorge Bittar (PT-RJ), engoliu Bernardo, considerado boa praça.


