PMDB pode criar comissão provisória
Agência Estado
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DifícilCalheiros, Paes de Andrade e Padilha: reunião entre os caciques do PMDB mais uma vez terminou sem acordoO Conselho Político do PMDB tem reunião marcada para terça-feira, quando a ala governista ameaça eleger uma comissão provisória com o líder no Senado, Jáder Barbalho (PA), na presidência do colegiado para fazer a interlocução com o governo e defender os interesses do partido no comando político da campanha da reeleição. Encarregados de promover a unidade do partido, os ministros da Justiça, Renan Calheiros, e dos Transportes, Eliseu Padilha, tentaram mais uma vez ontem, sem sucesso, um acordo com o presidente rebelde, deputado Paes de Andrade (CE).
Ainda temos tempo para o entendimento até o dia 28; não perdemos a esperança, disse Calheiros ao fim do encontro. Mas Paes de Andrade recusa o papel de rainha da Inglaterra e diz que a convocação do conselho é uma violência para destituí-lo. Ele argumentou aos ministros que a interlocução com o governo vem sendo feita há um ano e meio, desde que assumiu a presidência do partido. Não compareci nem critiquei as decisões tomadas, e não oferecerei qualquer reparo ao que vier a ser decidido, declarou Paes, ao salientar que quer contribuir para a unidade do partido.
Os governistas que derrotaram a candidatura própria na convenção nacional de 8 de março querem evitar que o tema volte a ser discutido na convenção de junho, que a lei eleitoral manda realizar para a escolha oficial dos candidatos às eleições de outubro e o anúncio das coligações. Não há entendimento sobre os termos do edital de convocação da próxima convenção. Os governistas querem arrancar de Paes de Andrade uma redação que impeça que a candidatura própria volte à pauta dos convencionais, mas o presidente rebelde diz que isto é impossível.
Tudo depende da vontade política do presidente Itamar Franco de se lançar candidato, insistiu ontem Paes de Andrade. Os governistas querem que a convenção de junho seja convocada para homologar a decisão tomada em março, contra a candidatura própria. O problema é que nada impede que Itamar ou qualquer outro filiado do partido registre a candidatura ao Planalto. Nesse caso, não há como os convencionais fugirem do exame da candidatura. Mais do que isto, Paes argumenta que a convenção de março só decidiu contra o lançamento de candidato próprio.
Nem os governistas querem homologar isto porque significaria não ter candidato algum ao Planalto, ponderou o presidente do partido. Os governistas, porém, alegam que, vencida a questão do candidato próprio, resta ao partido apenas o exame de coligações, justamente porque o PMDB não ficará de fora da corrida presidencial. (AE)





