PMDB perde nas grandes cidades do Estado
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segunda-feira, 01 de novembro de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar de ter vencido a maior parte das prefeituras municipais no Paraná, o PMDB não conseguiu conquistar a administração de nenhum dos dez maiores municípios paranaenses. Mesmo em Foz do Iguaçu, onde o PMDB tinha prefeito, não houve reeleição. O novo prefeito eleito foi o pedetista Paulo Mac Donald Ghisi, aliado ao grupo do senador Osmar Dias (PDT), virtual candidato ao governo do Estado em 2006.
Em Londrina, onde o governador Roberto Requião, líder do PMDB do Paraná, anunciou apoio no segundo turno para o atual prefeito Nedson Micheleti (PT), a vitória acabou sendo imputada ao grupo que alimenta críticas a atual administração estadual, encabeçada pelo deputado estadual André Vargas (presidente do diretório estadual do PT) e o deputado federal Paulo Bernardo (PT).
Os dois fizeram críticas pesadas à administração de Requião. Bernardo chegou a ser ''intimado'' a comparecer a uma reunião semanal do secretariado para debater seus pontos de vista com a equipe de Requião. ''Tinha um assessor dele que queria me algemar e levar lá na escolhinha do Professor Raimundo (sic) de qualquer jeito. Eu não fui. Só vai lá quem é obrigado. Aquela reunião deve ser intragável'', disse o parlamentar, ontem, à Folha. Bernardo não acredita que a vitória de Micheleti em Londrina tenha sido fruto de um apoio de Requião no segundo turno. No primeiro turno, o PMDB lançou o nome da deputada estadual Elza Correia (PMDB) para a prefeitura de Londrina.
''O ponto crucial para vencermos foi que não ficamos na dependência exclusiva de apoios. Fomos aumentando cada vez mais nossa campanha. Não esperamos que ninguém viesse nos socorrer'', ponderou Bernardo. Em Curitiba, segundo ele, foi a equipe de Requião quem inviabilizou a vitória de Angelo Vanhoni (PT) à Prefeitura. Bernardo contou que estavam ocorrendo muitas divergências internas dentro da coordenação da campanha. ''Temos que fazer um balanço dos erros e dos acertos dessa campanha em Curitiba e das campanhas em Ponta Grossa e Maringá'', complementou.
O parlamentar criticou principalmente a coordenação da aliança entre o PT e o PMDB ter ficado nas mãos do secretário licenciado da Educação, Maurício Requião. ''O PT teve uma postura firme na tentativa de conduzir a campanha. Mas o conjunto do partido não podia ter sido coordenado pelo Maurício (Requião). Não dá para pegar o Atlético e colocar o presidente do Coxa para coordenar. Não vai dar certo'', justificou. Apesar de ter conquistado apenas 29 das 399 prefeituras paranaenses, Bernardo não acredita que o PT esteja enfraquecido. ''O resultado final foi positivo. Poderia ter sido melhor'', confessou.


